terça-feira, 27 de junho de 2017

De carros a gado: o polêmico agronegócio da Volkswagen na Amazônia

Fonte: Carta Maior 26/06/2017

Em 1973, montadora alemã, com apoio do regime militar, iniciou projeto para criar o "gado do futuro" na Floresta Amazônica

dw.com
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Uma fazenda-modelo para criar o "gado do futuro" e resolver parte do problema mundial da fome era o grande plano da montadora alemã Volkswagen em sua estratégia de ramificação de negócios no Brasil. Ao receber uma oferta do regime militar para participar do projeto de desenvolvimento da Amazônia, a empresa não perdeu a oportunidade de investir no agronegócio.
O projeto que, na década de 1970, parecia um ótimo investimento, com lucros garantidos, tornou-se, poucos anos, depois um pesadelo para o grupo alemão. Além de enfrentar acusações de ambientalistas sobre o desmatamento, a empresa se viu envolvida num escândalo sobre a exploração de trabalhadores em suas terras.
"Todas essas polêmicas que aconteceram na fazenda da montadora nos anos 1970 e 1980 ajudaram a construir a Amazônia como um espaço político nacional e internacional. A Volks acabou se tornando um símbolo da invasão da Amazônia por grandes empresários e grupos locais e estrangeiros", afirma o historiador Antoine Acker, cujo livro Volkswagen in the Amazon: The Tragedy of Global Development in Modern Brazil será lançado em julho.
Acker acrescenta que, apesar de a montadora alemã não ser a única que desmatava a região, ela era o nome mais conhecido. "Por isso, o escândalo da Volkswagen foi uma oportunidade para que muitas associações, partidos políticos e ativistas chamassem a atenção internacional para a Amazônia", ressalta.

"Integrar para não entregar"
Apesar de tentativas de desenvolvimento da Amazônia ocorrerem desde o final do século 19, com os ciclos de exploração da borracha, somente após o golpe militar de 1964 foi posto em prática um plano extensivo para a ocupação e "modernização" da região.
Com o lema "integrar para não entregar", o regime militar fez do desenvolvimento da Amazônia uma de suas prioridades. Para isso criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), responsável por colocar em prática essas ideias e administrá-las, além de buscar investidores interessados em negócios na região.
Mesmo propagando o discurso de proteger a Amazônia para evitar sua internacionalização, os militares faziam vista grossa, e até promoviam, investimentos estrangeiros na região. Nesse contexto surgiu a fazenda-modelo da Volkswagen no sul do Pará.
Na época, duas versões sobre o pontapé inicial da iniciativa circularam. No Brasil, divulgava-se que a empresa alemã e principalmente seu presidente no Brasil, Wolfgang Sauer, faziam questão de cooperar com o projeto de colonização da Amazônia.
Na Alemanha, para conquistar o aval do conselho de administração, o presidente do grupo na época, Rudolf Leiding, alegou que o negócio foi um pedido do regime militar. Mesmo sem consultar o conselho, ele havia comprado parte do terreno onde seria a fazenda em 1973.
"Na reunião do conselho, a compra acabou sendo validada, pois já havia ocorrido. Como não conhecia muito bem a situação brasileira, o conselho simplesmente aprovou porque não sabia do que se tratava. Leiding tentou explicar que a Volkswagen teria muito lucro se investisse na Amazônia", disse Acker.

Nessa controvérsia surgiu a Companhia Vale do Rio Cristalino (CVRC) e, com ela, os planos da montadora de exportar o gado produzido no Brasil para Europa, Japão e Estados Unidos.
Entre 1974 e 1986, Volkswagen criou gado no sul do Pará
Entre 1974 e 1986, Volkswagen criou gado no sul do Pará

Fazenda de alta tecnologia

Livro ‘Amazônias em tempos contemporâneos: entre diversidades e adversidades’ para acesso e/ou download

Fonte: EcoDebate 27/06/2017

Por Eduardo Gomes (Fiocruz Amazonas)
Amazônias em tempos contemporâneos: entre diversidades e adversidades”, é título do livro lançado na segunda-feira (12/6), organizado pelas pesquisadoras Jane Felipe Beltrão e Paula Mendes Lacerda. O lançamento ocorreu no Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazonas), em Manaus (AM), durante a cerimônia de recondução de Sérgio Luz, ao cargo de diretor do Instituto.
Livro 'Amazônias em tempos contemporâneos: entre diversidades e adversidades'
Pesquisadores da Fiocruz fazem parte dos autores, que possuem formação diversificada e têm em comum a luta por um Brasil plural e democrático (foto: Fiocruz Amazonas) 

Segundo a organizadora, Jane Beltrão, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem há algum tempo tentando iniciar uma coleção de paradidáticos, pois a produção antropológica no Brasil, ainda fica muito restrita às universidades, especialmente pela necessidade de formação de novos antropólogos na graduação e de complementação em nível de pós-graduação.
“Esse foi o primeiro paradidático da ABA. A ideia era que a gente pudesse congregar pessoas de várias áreas: da saúde, da educação, do direito… para que pudéssemos discutir temas que são fundamentais para a Amazônia, como a consulta dos povos indígenas em função de grandes empreendimentos, o direito das mulheres indígenas em função das grandes obras e das dificuldades que elas enfrentam com a violência, assim como a possibilidade de discussão sobre o que é uma escola indígena na Amazônia, e também sobre a formação de pessoal para trabalhar na área da saúde”, destacou Beltrão.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Arquitetura sustentável: o que é, para que serve e como fazer?

Fonte WWF Brasil 20/02/2017


* Por Alessandra Barassi, arquiteta 

O significado da palavra "sustentabilidade" ainda não está muito claro no inconsciente coletivo. Então, para não complicar muito, aí vai a explicação clássica: sustentabilidade = pessoas, planeta e viabilidade econômica! Ao falarmos de arquitetura sustentável, estamos falando daquela que atende as necessidades das pessoas, respeita o planeta e é viável economicamente.
 
Na prática, isso quer dizer que os projetos precisam ser mais inteligentes! Edifícios devem ser confortáveis e causar menos impacto ambiental, além de ter baixos custos de execução e manutenção ao longo de sua vida útil. E para se chegar a projetos inteligentes é necessário adotar o “design integrado”, em que se equacionam vários critérios de sustentabilidade como orientação solar, ventilação natural, materiais ecológicos, uso eficiente de água e energia, gestão de resíduos, entre outros.

Há quem pense que para atender a todos esses critérios seja necessário dispor de muitos recursos. Não necessariamente. Estudos indicam que construções sustentáveis podem custar cerca 5% mais ou até custar menos, se bem projetadas (como visto no GSA LEED Cost Study, de 2004). É possível adotar estratégias passivas, que dispensam equipamentos caros e adotam soluções de desenho ainda no papel. 
Estudos indicam que obras sustentáveis, se bem projetadas e desenhadas, custam até 5% menos que obras convencionais. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, no Acre, moradores dão exemplo de uso sustentável dos recursos naturais

Fonte: EcoDebate 27/02/2017

LETÍCIA VERDI, MMA (texto e fotos)
Enviada especial a Cazumbá-Iracema

O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec) Bolsa Verde, do Ministério da Educação em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), completa três anos em 2017. Na Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema, no município de Sena Madureira, no Acre, mais de 350 pessoas concluíram 15 cursos em 2016.
O Pronatec Bolsa Verde capacita moradores de áreas inseridas no Programa Bolsa Verde em atividades que contribuam para a elevação de renda e o uso sustentável dos recursos naturais. O Bolsa Verde atende a população em situação de extrema pobreza, que vive em unidades de conservação e assentamentos ambientalmente diferenciados, com o incentivo de R$ 300 a cada três meses.
desenvolvimento sustentável
Segundo o mestre farinheiro da Resex do Cazumbá-Iracema, Jair Gomes da Silva, os cursos do Pronatec Bolsa Verde ensinaram as pessoas a viver dentro da floresta produzindo de forma sustentável. “A pessoa tinha até vontade, mas não tinha conhecimento. O curso nos deu isso: sobreviver aqui dentro sem desmatar”, diz. A Resex tem, atualmente, pouco mais de 1% de área desmatada, segundo dados do Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio).
Jair destaca o caráter educativo dos cursos inclusive em relação à alimentação. “As pessoas aprenderam a valorizar e comer o que tem aqui. Deixar o refrigerante e trocar por um suco natural. Pegar uma fruta e fazer um suco, um doce. Uma castanha, e fazer leite, óleo”, conta.
O empreendedor fez o primeiro curso de melhoramento do processamento de farinha de mandioca em 2004, por uma parceria do ICMBio com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater). De lá para cá, aprimorou a qualidade e a forma de fazer a farinha e já multiplicou seu conhecimento para 14 turmas na Resex. “Trabalho com farinha e tenho orgulho. É o meu sustento. É um alimento que é consumido cru e puro. Por isso, é preciso muito cuidado e higiene”.
Jair criou uma farinha com castanha-da-Amazônia que é um dos produtos de maior sucesso da reserva, vendida a R$ 250 a saca de 50 quilos – mais que o dobro da farinha comum. “O valor dela é agregado. Você trabalha menos, desmata menos e seu lucro é maior”.
Na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, no Acre, moradores dão exemplo de uso sustentável dos recursos naturais - 1QUALIDADE DE VIDA

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Incêndios Na Floresta Amazônica Acarretam Uma Redução De 94% Das Espécies De Árvores

Fonte Portal EcoDebate 07/12/2016

Incêndios na Floresta Amazônica acarretam uma redução de 94% das espécies de árvores. Entrevista especial com Erika Berenguer
IHU
A área de queimada em quatro municípios do Pará — SantarémBelterraMojuí dos Campos e Uruará — foi de “7.400 km2, afetando 12% da Floresta Nacional do Tapajós, uma das Unidades de Conservação mais estudadas do país”, informa Erika Berenguer à IHU On-Line. Segundo ela, “só a área queimada nesses quatro municípios é maior do que todo o desmatamento registrado no mesmo período em toda a Amazônia Legal”.
A pesquisadora explica, na entrevista a seguir, concedida por e-mail, que entre os fatores que contribuem para o aumento das queimadas na Amazônia, destacam-se “o uso do fogo no preparo da terra para cultivo”, o fato de as florestas estarem “cada vez mais degradadas” e ainda os efeitos das mudanças climáticas. “Os agricultores, em sua grande maioria, usam as queimadas com cuidado, porém o clima cada vez mais seco e quente na região amazônica devido às mudanças climáticas tem contribuído para as queimadas saírem de controle, virando grandes incêndios acidentais, que queimam áreas de cultivo e benfeitorias, assim como adentram as florestas, queimando-as”, diz.
Erika lembra que anos atrás, quando o fogo entrava na floresta, os efeitos não eram devastadores porque a floresta era bastante úmida, no entanto a “extração de madeira” e os “incêndios” têm causado uma “grande mortalidade da vegetação, o que resulta em muitas folhas e galhos no chão da mata e gera clareiras no meio da floresta. Essas clareiras permitem uma maior entrada de luz solar e de vento, deixando a floresta mais seca. A combinação de uma floresta mais seca e cheia de combustível no chão a torna muito mais vulnerável aos incêndios, gerando então um ciclo vicioso”, explica. Entre os resultados negativos desse processo, a pesquisadora menciona, após ter acompanhado de perto os incêndios durante três meses na região de Santarém, que “as matas que já sofreram tanto com a extração madeireira quanto com os incêndios apresentam uma redução de até 94% das espécies de árvores, 86% das espécies de besouros rola-bosta e 54% das espécies de aves”.
Para reverter esse processo, Erika pontua que é necessário “evitar uma maior degradação das florestas, como, por exemplo, maior fiscalização e punição de extração ilegal de madeira”. Em períodos de secas extremas, frisa, é essencial que “sejam direcionados incentivos financeiros de emergência para os municípios que geralmente têm maior ocorrência de incêndios. Tais incentivos teriam o objetivo duplo de prevenir os incêndios antes do desencadear da seca e de combater os incêndios após o início da seca”.
Erika Berenguer é bióloga graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutora em Ecologia pela Lancaster University, Reino Unido. É pesquisadora nas universidades britânicas Lancaster e Oxford. Há 14 anos trabalha com os impactos antrópicos nas florestas tropicais, focando primeiro na Mata Atlântica e, ao longo dos últimos 8 anos, trabalhando na Amazônia. Está envolvida em projetos que buscam desenvolver um maior entendimento sobre os possíveis impactos da fragmentação, da extração de madeira e dos incêndios acidentais na biodiversidade e nos estoques de carbono das florestas afetadas.
Confira a entrevista.

Em busca de uma Amazônia sustentável

Fonte: Diario do Pará 07/12/2016

Em busca de uma Amazônia sustentável (Foto: Fernado Araújo)
A Amazônia ainda é a maior área de desmatamento do mundo. Quase 8 mil Km² de floresta foram removidos entre 2015 e 2016 (Foto: Fernado Araújo)
Os dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) demonstram que, em 2016, a Amazônia voltou a possuir a maior área de desmatamento do mundo. Diante de um cenário preocupante, especialistas do setor se reuniram na manhã de ontem, em Belém, no Simpósio Amazônia Sustentável. Instituições científicas que integram a Rede Amazônia Sustentável (RAS) apresentaram resumos de pesquisas realizadas nos últimos anos e apontaram propostas de recomendações para tomadas de decisões que possam levar ao atingimento da verdadeira sustentabilidade. 
Convidado do evento, o coordenador do Observatório do Clima e do Projeto de Mapeamento da Cobertura e Uso do Solo do Brasil (MapBiomas), Tasso Azevedo traçou um breve panorama da situação atual das trajetórias da sustentabilidade dos usos da terra. Para ele, três grandes segmentos podem apresentar ameaça ao meio ambiente no que diz respeito ao uso do solo: o desmatamento, a degradação de forma geral (relacionada à queimadas) e a contaminação da água. 
No que se refere ao primeiro campo, o engenheiro florestal não deixou de citar o crescimento observado pelas estimativas de 2016 para o desmatamento na região amazônica. “A gente reduziu muito o desmatamento. Mas, se a gente olhar para os números de 2016 esquecendo todos os anos anteriores, teremos de reconhecer que essa ainda é a maior área de desmatamento do mundo”, destacou, referindo-se ao dado que do Inpe que registraram uma taxa de 7.989 Km² de remoção total da cobertura da floresta no período de agosto de 2015 a julho de 2016. 
Segundo Tasso, quando se analisa a área desmatada acumulada ao longo dos anos, é possível considerar que ela já representa aproximadamente 20% da área original da Amazônia. “Eu fiz uma conta rápida e cheguei à taxa de 250 metros quadrados sendo desmatados por segundo”. 

RAS

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Justiça Federal Ordena Consulta Prévia A Indígenas Para Construção Da Usina Teles Pires

Fonte: EcoDebate 05/12/2016

Hidrelétricas na Amazônia. Mapa: por Cândido Cunha, em Língua Ferina
Hidrelétricas na Amazônia. Mapa: por Cândido Cunha, em Língua Ferina

ABr
Por unanimidade, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) ordenou a consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas Kayabi, Munduruku e Apiaká, que serão atingidos pela obra da Usina Hidrelétrica de Teles Pires, no rio de mesmo nome, localizada na divisa dos estados do Pará e de Mato Grosso. As informações foram divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF).
A consulta, segundo o MPF, deve ser feita no modelo previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e havia sido ordenada por sentença de primeira instância. No entanto, o governo brasileiro e a Companhia Hidrelétrica Teles Pires recorreram e perderam novamente na segunda instância, ocorrida no dia 30.
“No julgamento de ontem, os desembargadores também consideraram inválida a licença de instalação concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente [Ibama] para a construção da usina. A Usina Teles Pires, conforme previsto pelos estudiosos, impactou gravemente a vida dos indígenas”, diz nota do ministério.
A procuradora regional da República Eliana Torelly citou “a diminuição das espécies de peixes, a contaminação da água do rio, desmatamento e pressão sobre os recursos naturais”.
O desembargador Antonio Souza Prudente, em seu voto, falou da destruição das Sete Quedas, local de grande importância cosmológica para os Munduruku e a necessidade de cumprir a Convenção 169 da OIT e respeitar os direitos indígenas inscritos na Constituição Brasileira. “Em nenhuma usina hidrelétrica instalada na Amazônia houve consulta prévia aos povos afetados, sejam indígenas, sejam ribeirinhos”, diz nota do MPF.
Segundo o MPF, a decisão do tribunal não vai entrar em vigor imediatamente, por causa do recurso da suspensão de segurança, que interrompeu o efeito de qualquer decisão judicial enquanto não ocorrer o trânsito em julgado do processo.
O procurador Felício Pontes, um dos subscritores da ação em defesa dos povos indígenas, criticou a suspensão de segurança. “Este é um caso a ser estudado. Vencemos em todas as instâncias no sentido de que a barragem não poderia ser construída sem consulta prévia aos indígenas, mas a obra está construída. Os indígenas sofrendo com doenças que não tinham. Tudo em razão de uma decisão política de suspensão de segurança, instituto que vem da ditadura militar e que não deveria existir em um país democrático.”
Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, 05/12/2016

Debate Sobre Hidrelétricas Na Amazônia, No Congresso Nacional, Dia 6/12

Fonte EcoDebate 05/12/2016

Por Sucena Shkrada Resk, do ICV
No dia 5, também haverá o lançamento de documentário sobre Belo Monte; pós inundação e de livro a respeito da Construção da hidrelétrica de São Luiz de Tapajós, no IESB
A decisão política, econômica e socioambiental do governo brasileiro de investir na predominância da matriz energética hidráulica nos próximos anos, em especial, na Amazônia, se tornou um tema de discussão nacional pela complexidade dos projetos implementados e em curso quanto à relação de seu custo-benefício e impactos atuais e nas próximas décadas. O tema chega ao Congresso Nacional, com a realização do Seminário Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos, no dia 6 de dezembro, das 9h às 18h, no Plenário 8 – Anexo 2, da Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento é uma organização da Aliança dos Rios da Amazônia, do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, da Frente por uma Nova Política Energética e do GT Infraestrutura em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados (veja programação abaixo).
seminário hidrelétricas na amazônia
O debate será divido em três grandes eixos: Aspectos críticos do planejamento e licenciamento de hidrelétricas na Amazônia; Responsabilidade socioambiental de agentes financeiros e Hidrelétricas na Amazônia a caminhos alternativos para a política energética nacional. Para isso, foram convidados representantes de diferentes segmentos, desde os Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia ao Ministério Público Federal (MPF), Academia e terceiro setor.
Durante o evento, também participarão representantes de populações mais vulneráveis aos empreendimentos hidrelétricos: assentados, indígenas, ribeirinhos e atingidos por barragens.
Lançamentos e debates no dia 5: documentário e livro

Desmatamento na Amazônia Brasileira em 2016: prenúncio de um retrocesso?

Fonte: Imazon 01/12/2016

No dia 29 de novembro o Governo divulgou os dados preliminares do desmatamento de 2016. A taxa foi de 7.989 km2, o que representa um aumento de 29% em relação ao ano passado.O Brasil tem muito o que perder com isto, não só do ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista político e econômico. Tal aumento não pode se tornar corriqueiro, nem ameaçar os grandes avanços ambientais do país nos últimos anos. É necessário que a sociedade como um todo aja para questionar este aumento e demandar, direta e indiretamente o cumprimento da legislação ambiental, bem como uma produção mais sustentável.  
Este não é o primeiro repique no desmatamento. Em janeiro de 2014, o IPAM, em colaboração com o IMAZON e o Instituto Socioambiental (ISA), publicou uma nota técnica alertando para o fato de que o aumento de 28% na taxa de desmatamento na Amazônia brasileira em 2013[1](5.891 km2) poderia ensejar um descontrole crescente da destruição florestal na região nos anos seguintes. Infelizmente, tal prognóstico se confirmou. A taxa de 2015 atingiu 6.207 km2 e a de 2016, recém anunciada pelo INPE, alcançou 7.989 km2 (Figura 1). Esse valor é o maior desde 2008, quando o desmatamento atingiu 12.911 km2. Naquele ano, drásticas medidas foram tomadas pelo governo, entre elas a criação da Lista de Municípios Prioritários da Amazônia, seguido do bloqueio ao crédito para produtores daquelas regiões. O recente aumento de 29% na taxa de 2016 em relação ao ano anterior não deixa dúvidas de que a tendência de redução, observada a partir de 2005, foi definitivamente revertida (Figura 1).

Figura 1: Taxa anual de Desmatamento na Amazônia Brasileira entre 2006 e 2016. O gráfico também mostra a área que poderia ser desmatada em 2020 para que o Brasil cumpra a meta de redução de  80% no desmatamento no bioma Amazônico (Decreto 7.390/2010). Baseado no desmatamento de 2016, o Brasil deve reduzir o desmatamento pela metade nos próximos anos. (Dados: PRODES/INPE, PPCDAM, MMA. Produção: IPAM).

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Fundo Amazônia reforça fiscalização do Ibama

Fonte: Ibama 03/11/2016


Brasília (03/11/2016) - O Ibama e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram nesta quinta-feira (03/11), em cerimônia no Ministério do Meio Ambiente (MMA), contrato para aplicação de R$ 56,3 milhões do Fundo Amazônia em operações de combate ao desmatamento.
O projeto vai garantir apoio logístico às ações de fiscalização ambiental nos próximos 15 meses. Os recursos serão utilizados para pagamento de prestação de serviços de aluguel de meios de transporte aéreo e terrestre. "O contrato do Fundo Amazônia será fundamental para garantir a eficácia da atuação do Ibama nos próximos meses. Os helicópteros e veículos são os elementos mais importantes na logística de apoio à fiscalização", disse a presidente do Ibama, Suely Araújo. “Com esses recursos, estaremos plenamente em campo no ano que vem.”
As atividades serão concentradas nas regiões que sofrem maior pressão de desmatamento, de acordo com alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Estão previstas 133 operações de fiscalização. As ações de monitoramento, controle e fiscalização foram determinantes para a redução das taxas de desmatamento da Amazônia Legal de 27,7 mil km² em 2004 para 6,2 mil km² em 2015.
“Essa assinatura é emblemática”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, referindo-se ao caráter logístico da destinação da verba. “Esses recursos vão servir como uma suplementação para garantirmos mais helicópteros, veículos e pessoas”. Segundo ele, o apoio do Fundo Amazônia auxiliará o Brasil a cumprir os compromissos assumidos no Acordo de Paris, em 2015. “Temos que fazer a transição para a economia de baixo carbono e, para isso, precisamos de recursos. O Brasil é um país em desenvolvimento que tem cumprido suas obrigações, diminuindo as emissões e assumindo compromissos ousados em comparação a outros países”.

Histórico

Gerido pelo BNDES, sob a coordenação do MMA, o Fundo Amazônia atua nos três eixos do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm): monitoramento e controle ambiental; ordenamento fundiário e territorial; e fomento a atividades produtivas sustentáveis.
Já foram captadas doações de R$ 2,5 bilhões dos governos da Noruega (maior financiador), da Alemanha (por meio do Banco de Desenvolvimento Alemão - KfW) e da Petrobras para aplicação em projetos de redução do desmatamento e desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal.
Os doadores estrangeiros sinalizaram a intenção de realizar novos aportes, que somarão mais R$ 2,2 bilhões, e também devem autorizar a extensão do prazo para aplicação dos recursos por mais dez anos, de 2020 para 2030.
O novo contrato de financiamento firmado com o Ibama compõe a carteira do Fundo que possui atualmente 85 projetos apoiados, no valor total de R$ 1,3 bilhão. Este é o segundo projeto do Ibama, que em 2014 contratou financiamento de R$ 14,7 milhões para o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).
Com informações do BNDES e do MMA.
Assessoria de Comunicação do Ibama
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(61) 3316-1015
Foto: Ibama