segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Mexilhão Dourado ameaça rios da Amazônia

Fonte: Portal Amazônia 10/02/2015
Espécie de molusco chegou à América do Sul no lastro de navios estrangeiros; espécie já causa problemas na região Centro-Oeste
Mexilhão dourado e sua concha. Foto: Divulgação/FZB-RS

MANAUS – O mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), molusco considerado uma espécie exótica invasora em rios da América do Sul, pode chegar à Amazônia. Sua presença traria consequências severas ao ecossistema da região. Os problemas seriam desde mudanças na qualidade da água, entupimento de sistemas de captação de água, danos a embarcações até eliminação de espécies nativas. “A introdução do mexilhão dourado poderá ser, talvez, retardada, não sei se evitada”, alerta a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal, Márcia Divina de Oliveira.

“Um programa de prevenção da invasão do mexilhão dourado, considerando suas principais vias de introdução, poderia ser implantando nas bacias onde ainda não se tem o mexilhão dourado, como na Amazônia”, completa. O mexilhão dourado é um molusco originário do Sudeste da Ásia. A espécie chegou ao continente sul-americano, provavelmente, de modo acidental na água de lastro de navios cargueiros. A Argentina teria sido a porta de entrada.
Grade de metal tomada pelo mexilhão dourado. Foto: Divulgação/Ibama

Os impactos causados pela presença do mexilhão dourado dependem de quanto o mexilhão se desenvolve. “Em ambientes naturais, a densidade pode não ser tão alta e os impactos podem ser amenizados. Na Amazônia, existem muitos ambientes naturais, como no Pantanal, onde a densidade do mexilhão não é tão alta quanto nos sistemas construídos”, explica.
Por outro lado, em sistemas como reservatórios para a geração de energia em usinas hidrelétricas, a densidade do molusco é muito alta e os danos ambientais e econômicos à altura. Segundo a pesquisadora, principalmente nas estruturas de concreto e tubulações.
Márcia destaca que, para as populações ribeirinhas, a curto prazo, os danos seriam causados a embarcações, sistemas de captação de água e na piscicultura em tanques-rede. “Qualquer estrutura que fica na água seria afetada. Os mexilhões se fixam e crescem nas águas altas. Quando as águas descem, os mexilhões morrem e provocam mau cheiro, chegando até a contaminar a água”, ressalta.
Imagens de partes da Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, tomada pelo molusco. Foto: Divulgação/Itaipu

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), hoje, a espécie já foi detectada em quase toda a região Sul e em vários pontos do Sudeste e Centro-Oeste. As bacias dos rios Paraná e Uruguai, rios e lagos do sistema Guaíba, Patos-Mirim e Tramandaí, no Rio Grande do Sul, já são afetadas.
A pesquisadora da Embrapa Pantanal explica que a boa oferta de alimento e condições ambientais adequadas, como salinidade, temperatura, pH e cálcio da água favorecem a proliferação do molusco. “Nos rios de águas ácidas, com pH abaixo de 5, o mexilhão tem baixo potencial de se estabelecer, mas nos demais rios onde o pH é acima de 6, as condições são muito favoráveis”, acrescenta.
Imagem de peças da Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, tomada pelo molusco. Foto: Divulgação/Itaipu

Os rios da Amazônia podem ser separados em rios de água preta, rios de água branca e rios de água clara. O molusco não encontraria um ambiente favorável em rios de água preta, como o Rio Negro, onde o pH varia entre 3,5 e 4,0. Nem tanto em rios de águas claras como Xingu, Tapajós e Tocantins, onde o pH é de 4,0 a 7,0. No entanto, em rios de água branca como os rios Amazonas, Branco, Madeira, Juruá e Purus, que possuem pH 6,5 entre 7,0, o cenário seria favorável.
Durante a fase larval o “mexilhão-dourado” é levado livremente pela água ou por vetores (objetos que transportam a larva em sua superfície ou em seu interior) até que termina por alojar-se em superfícies sólidas, onde se fixa e cresce formando grandes colônias.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Criação de pirarucu é rentável e evita desmatamento da floresta amazônica


Fonte: Revista Globo Rural 18/02/2015

Um hectare de tanque de cultivo da espécie rende de 10 a 15 toneladas de carne, enquanto a mesma área com pecuária extensiva permite a criação de no máximo três bois, ou seja, 750 quilos de proteína

pirarucu_peixes (Foto: Amelia Guo/Creative Commons)
O pirarucu, um peixe nativo da bacia Amazônica, é a grande promessa para fixação do homem no campo e combate ao desmatamento na região Norte do Brasil. Um hectare de tanque de cultivo da espécie rende de 10 a 15 toneladas de carne, enquanto a mesma área com pecuária extensiva permite a criação de no máximo três bois, ou seja, 750 quilos de proteína. “A Amazônia pode se tornar um grande criatório de peixe e assim evitar que se derrube a mata”, diz  Osmar Façanha de Sá, presidente da Cooperpeixe, cooperativa criada em 2013 com o objetivo de se dedicar à produção de alevinos de pirarucu. O grupo é formado por 27 cooperados e trabalha com piscicultores parceiros.
O pirarucu é considerado uma das espécies mais promissoras dentre as opções para o cultivo em cativeiro. Só para se ter uma ideia, em um ano e meio, o peixe alcança 15 quilos. No mesmo período, o tambaqui não pesa mais de 3 quilos. Mas a conversão alimentar surpreendente esbarra no desafio da reprodução. A espécie não aceita o processo artificial. Pelo contrário, as fêmeas escolhem os machos e só assim o acasalamento acontece. “Quando não há desova, a gente captura os peixes para tentar entender o que houve. Às vezes, o macho é menor e a fêmea não aceita”, explica Façanha de Sá.

Amazônia ganha torre meteorológica

A 325 metros de altura, cientistas vão monitorar aquecimento global
 Fonte: O DIA 21/02/2015
Rio - Uma torre de 325 metros de altura domina os céus da Floresta Amazônica. A estrutura — sete metros maior que a Torre Eiffel, símbolo de Paris, na França — é fruto de um acordo de cooperação científica entre os governos do Brasil e da Alemanha. O Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês) tem como objetivo monitorar os impactos do aquecimento global sobre o ecossistema da maior floresta tropical do planeta.
A construção — que é a maior estrutura de observação meteorológica da América do Sul — será capaz de controlar a partir de maio o fluxo de carbono e aerossóis na atmosfera da Floresta Amazônica, traçar a concentração de gases na área e estudar o processo de formação e desenvolvimento das nuvens. 

“Queremos diminuir as incertezas nesses campos da pesquisa científica e contribuir para aprimorar a representação da Amazônia e outras áreas tropicais úmidas nos modelos climáticos”, diz Antônio Manzi, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e coordenador brasileiro no projeto. 
De acordo com Steffan Wolff, também pesquisador do Inpa, a torre Atto possui grande importância na proteção futura do ecossistema tropical. “Se conseguirmos entender as mudanças climáticas agora, quando elas ainda não são tão fortes, nós poderemos compreender quais são os perigos que estão no nosso horizonte”, afirma o especialista.

E não será apenas a Floresta Amazônica que sairá ganhando com a nova estrutura. Os dados coletados no local terão influência sobre o modo como o planeta vai encarar o aquecimento global, acredita Luiz Renato de França, diretor do Inpa. “Os ganhos da torre Atto transcendem a Amazônia. O mundo todo vai se beneficiar das informações adquiridas em nossas pesquisas relacionadas às mudanças climáticas globais”, enxerga ele.

Observatório vai funcionar 24 horas por dia, pelo menos até o ano de 2044

O MODELO ZONA FRANCA COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Fonte: Blog da Floresta 20/02/2015

Para a FIEAM, a SUFRAMA foi atrofiada. Perdemos a autonomia para aplicar os recursos do setor produtivo e verbas de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação). A implantação do Polo Industrial de Manaus (PIM) é uma Plataforma Tecnológica centrada numa áreas de exceção fiscal localizada na Amazônia Ocidental com sede em Manaus administrada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus, autarquia federal vinculada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), conforme estabelecido no artigo 10 do Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967. Nesta data e neste ano de 2015, a Zona Franca de Manaus (ZFM) completa 48 anos, quase meio século da implantação do Projeto, a merecer de todos, em particular dos habitantes que vivem e moram neste território, legalmente definido, visando “promover o desenvolvimento econômico regional, mediante geração, atração e consolidação de investimentos, apoiado em educação, ciência, tecnologia e inovação, visando à integração nacional e inserção internacional competitiva.”
Desta feita, o modelo ZFM regido pela militarização do sistema e pelo valor estratégico de ocupação e domínio do território Amazônico foi implantado sob o taco do poder central de Brasília, que reduz a Amazônia a uma reserva de mercado, bem no estilo de uma política neocolonial, em atenção ao capital internacional e as grandes corporações nacionais. Derrubado o governo militar, a concepção política dos mandatários de Brasília continua a mesma, me parece mais grave ainda porque os políticos e governantes locais foram cooptados em nome de uma integração nacional e de uma política econômica concentradora e excludente socialmente.

Desmatamento cresce 169% na Amazônia Legal

Fonte: Yahoo Brasil 21/02/2015


(Foto: AFP)(Foto: AFP)
Em janeiro de 2015, foram desmatados 288 km² na Amazônia Legal - aumento de 169% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando a devastação se estendeu por 107 km². O monitoramento, não oficial, foi realizado pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém, no Pará.

Além dos dados sobre o corte raso, o boletim publicado pelo Imazon também incluiu números relativos à degradação florestal - áreas onde a floresta não foi inteiramente suprimida, mas foi muito explorada ou atingida por queimadas. Em janeiro, as áreas degradadas chegaram a 389 km², um salto de 1.116% em relação ao mesmo mês de 2014, quando foram registrados 32 km². Segundo o boletim, toda a degradação florestal detectada em 2015 aconteceu em Mato Grosso.

Desta vez, o território monitorado pelo Imazon foi maior que no ano passado. Em janeiro de 2015, 50% da floresta estava encoberta por nuvens e, portanto, fora do alcance dos satélites. Já em janeiro de 2014, as nuvens cobriam 58% da Amazônia Legal. O boletim destaca, no entanto, que em 2015 a cobertura se concentrou sobre regiões importantes (como Pará e Amazonas), o que reduziu a capacidade de detecção. "Em virtude disso, os dados de desmatamento e degradação florestal em janeiro de 2015 podem estar subestimados", diz o relatório.

Os Estados que mais sofreram com o desmatamento foram Mato Grosso (75%) e o Pará (20%), seguidos por Rondônia (2%), Amazonas, Tocantins e Roraima, todos com 1%. >Os municípios mais devastados da Amazônia foram Feliz Natal (MT), com 19,3 km², Altamira (PA), com 16,8 km², Rondon do Pará (PA), com 15,8 km², e Porto dos Gaúchos (MT), com 15,3 km². Dos dez municípios mais devastados, oito estão em Mato Grosso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Brasil: Cinco projetos de lei que ameaçam a Amazônia podem voltar à pauta no legislativo em 2015

Fonte: Global Voices 19/02/2015

Indigenous peoples protest in the National Congress in Brasília to prevent the voting of PEC215 bill. Photo by: Mídia Ninja, CC BY-NC-SA 2.0)
Indígenas protestam em Brasília contra a aprovação da PEC 215 em Dezembro de 2014. Pressão fez votação ser cancelada. Photo by: Mídia Ninja, CC BY-NC-SA)
Este texto foi escrito por Stefano Wrobleski e publicado originalmente no blog do Infoamazonia. É republicado pelo Global Voices via parceria de conteúdo.
Os projetos abaixo foram destacados por especialistas de diferentes ONGs de defesa do meio ambiente ouvidos pelo Infoamazonia. São cinco matérias que podem voltar a tramitar neste ano na Câmara dos Deputados ou no Senado. Se aprovadas, devem trazer impactos negativos para a Amazônia.
Demarcação de terras indígenas
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 215, apresentada em 2000 pelo então deputado federal Almir Sá (PPB-RR), pretende alterar a Constituição Federal, deixando ao Congresso Nacional a competência pela aprovação da demarcação de terras indígenas. Hoje, a palavra final é do Ministro da Justiça, depois de um longo processo que envolve estudos antropológicos de identificação liderados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e prazo para contestações por qualquer parte interessada no reconhecimento da área.
Se aprovada, a proposta ainda exigiria a tramitação de um projeto de lei delimitando os critérios e procedimentos de demarcação das terras indígenas. Além das terras indígenas, emendas à PEC 215 procuram transferir também ao Congresso o reconhecimento de áreas remanescentes de quilombos e a criação de unidades de conservação.
Em 2014, protestos de movimentos sociais, como a invasão do Congresso por lideranças indígenas, fizeram com que as discussões parlamentares em torno da PEC 215/2000 fossem sucessivamente canceladas.

“É um projeto extremamente preocupante”, afirma Aldem Bourscheit, especialista em políticas públicas do WWF-Brasil. “Os argumentos [em favor da PEC 215] são esdrúxulos, na linha de que o país já teria muitas terras indígenas”. Ele considera que, na prática, a aprovação da PEC “acabaria engessando a demarcação de terras indígenas”.
Já para Márcio Astrini, coordenador de campanha do Greenpeace Brasil, as terras indígenas “são a forma mais eficiente de combater o desmatamento”.
Arquivada em 2014, a PEC 215 pode voltar a ser discutida por uma comissão especial em 2015. Para isso, a matéria precisa ser desarquivada por um dos 26 deputados que, em 2000, assinaram pela apresentação da proposta e voltaram à Câmara dos Deputados em 2015. Eles têm até 31 de julho para pedir pelo desarquivamento. Quando foi elaborada por Almir Sá, a PEC 215 contou com o apoio de 232 parlamentares. Por ser uma proposta que pretende alterar a Constituição, são necessárias ao menos 171 assinaturas (ou um terço da Casa).
Mineração em áreas protegidas

As sandálias da polêmica

Fonte: Amazônia.org.br 20/02/2015
“A sandália que tem a cara e o espírito do brasileiro convidou aqueles que possuem o Brasil no DNA para trazer boas energias para você”. Com essa frase, a marca mais famosa de chinelos do país abre um vídeo promocional em que apresenta a coleção Tribos, que leva ilustrações da etnia Yawalapiti (ou Iaualapitis, outra grafia que também pode ser encontrada), um dos povos do Alto do Xingu, que vivem no Mato Grosso. Mas o que era para ser apenas mais uma ação promocional das Havaianas acabou abrindo a discussão sobre os direitos autorais dos indígenas, já que os grafismos são considerados uma propriedade coletiva e não um desenho de apenas um autor. Mas afinal, quem tem o poder de autorizar a reprodução de um desenho: o autor, uma etnia ou um grupo de tribo?
Em julho de 2014, a agência de publicidade Almap BBDO, que atende o grupo Alpargatas (empresa proprietária da marca cinquentenária de sandálias), obteve o “direito de uso e reprodução de grafismos coletivos do povo Yawalapiti, (…) para a produção de 10.000 kits promocionais de sandálias limitadas do projetoHavaianas Tribos, a serem distribuídos gratuitamente em campanha e ação específica”. Acontece que, a pessoa que assina o contrato, embora pertença à etnia, não é o chefe do grupo. E, mesmo se fosse, especialistas ouvidos pelo EL PAÍS apontam que, em casos como esse, o ideal é que os caciques dos demais povos do Alto do Xingu (são 15, ao todo, incluindo os Yawalapitis) fossem consultados para autorizar a reprodução dos desenhos e, assim, evitar que qualquer um deles se sentisse lesado por identificar elementos comuns aos grafismos das demais etnias da região.
“O interessado (em reproduzir qualquer elemento artístico indígena) tem que pedir a autorização ao chefe da etnia. O direito autoral indígena é um direito coletivo da própria etnia. Nos parece que, neste caso, o grafismo seria de várias etnias do Parque Indígena do Xingu. Ou seja, é um direitocoletivo-coletivo. Em casos assim (que envolvem elementos comuns a mais de uma etnia), eles teriam de pedir a autorização do chefe de todas as etnias envolvidas naquela criação. Só assim seria um ato jurídico perfeito”, explica Andreia de Andrade Gomes, especialista em propriedade intelectual da TozziniFreire Advogados, do Rio de Janeiro, que não atende nenhuma das partes envolvidas.

A seca não vem da Amazônia


Fonte: Revista Época 14/02/2015
Popularizou-se no mundo a teoria segundo a qual a seca no Sudeste seria efeito do desmatamento no Norte. O problema, porém, tem outras causas

Vinícius Gorczeski e Bruno Calixto

A maior crise hídrica da história do Brasil é culpa do governo, de São Pedro, das mudanças climáticas ou de seu vizinho gastador? Existe uma corrente crescente de sem-água que acreditam que a causa da seca histórica está em outro lugar. Ela seria consequência do desmatamento na Amazônia. A explicação inspira campanhas de ONGs como o Greenpeace e a WWF. Uma pesquisa feita pelo Instituto ReclameAqui a pedido de ÉPOCA mostra que 40% dos cidadãos dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro dizem que a devastação na Amazônia é uma das principais causas da seca. Reportagens sobre isso apareceram em veículos da imprensa internacional, como a BBC, o jornal britânico The Guardian e o americano Wall Street Journal.
A tese influente surgiu em uma entrevista coletiva do pesquisador Antonio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no dia 30 de outubro de 2014 em São Paulo. Ele apresentava seu estudo O futuro climático da Amazônia. A pesquisa aprofunda uma função conhecida da floresta. A mata gera a umidade que forma as chuvas da Região Norte e também viaja para o sul do continente, engrossando as nuvens na Bolívia, no Paraguai, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. O estudo descreve um risco real de que, com menos floresta, esse sistema entre em colapso. Não avalia se o processo já estaria em andamento. Mas, em entrevistas a jornalistas, Nobre foi menos cauteloso que seu estudo. "A seca no Sudeste tem relação direta com o desmatamento na Amazônia." Procurado por ÉPOCA, Nobre endossou que o desmatamento lá é a principal razão para a falta de chuvas cá. Suas declarações repercutiram.
A atmosfera, no entanto, é mais complexa. Na verdade, como explicam climatologistas e meteorologistas, as vilãs da história são as áreas de alta pressão atmosférica formadas sobre o continente. O fenômeno impediu a entrada, no Sudeste, de frentes frias vindas do sul e de ventos úmidos oriundos da Amazônia, segundo Franco Villella, do Instituto Nacional de Meteorologia. O bloqueio espantou os cientistas porque, embora seja comum no inverno, ocorreu em janeiro de 2014 e repetiu-se em 2015. Prever fenômenos como esse é mais arriscado que cravar a temperatura do próximo domingo. "A seca tem razões de escala global, que precisam ser mais bem estudadas. Não dá para atribuir a ocorrência ao desmatamento na Amazônia, como não se pode afirmar que seja um efeito do aquecimento global", diz Villella. Foram necessários três anos para que uma agência americana elaborasse um estudo realmente abrangente que ex-plicasse uma das piores secas da história californiana, que começou em 2011.
O desmatamento na Amazônia ainda é alto, e a fiscalização tem de melhorar. Mas faz anos que seu ritmo cai. A área de florestas derrubadas baixou de 29.000 quilômetros quadrados em 1995 para 4.800 em 2014. Se o desmatamento na Amazônia fosse a causa da seca no Sudeste, a primeira região afetada seria o entorno da floresta. As chuvas se reduziriam drasticamente na Bolívia e no Paraguai. Nesses locais, aconteceu o oposto. O desvio do fluxo de chuvas que iria para o Sudeste foi demonstrado por dados do Inpe e do Sistema de Proteção da Amazônia. Os ventos chuvosos rumaram para Rondônia, Bolívia e Peru em janeiro de 2014 e em 2015.
O Brasil tem sete biomas, todos importantes para o clima. É normal que as atenções se concentrem na Amazônia. A derrubada de árvores centenárias, gigantescas e raras no Norte comove mais do que o desmatamento no Cerrado ou na Mata Atlântica, ambos mais relevantes para proteger os mananciais que abastecem o Sudeste. O bioma amazônico é o único a ter um fundo de recursos. Criado em 2008, seu caixa registra R$ 1 bilhão, e dele saíram R$ 390 milhões até dezembro. Para quem milita pela conservação e por mais pesquisas na Amazônia, é tentador associar, numa única narrativa dramática, os dois grandes fenômenos: a devastação na Amazônia e a seca no Sudeste. Uma história tão cativante tem alto poder de captação de recursos de entes públicos e privados.Também é um jeito de as ONGs ambientalistas fazerem o morador da cidade grande sentir na pele os efeitos da destruição na longínqua Região Norte. A estratégia, entretanto, é arriscada.
Usar argumentos sem embasamento contribui com a ignorância científica da população e pode atrapalhar uma boa causa. A tese desastrada sobre a seca ter nascido na Amazônia poderá, no futuro, ser usada contra os ambientalistas. O relatório de Nobre é relevante: ele atesta a importância da Amazônia para o fluxo de chuvas na América do Sul. Sem ela, Sudeste, Sul e vastas áreas em países vizinhos se tornariam desertos. Não é preciso mais que isso para convencer a sociedade.

Vale produz volume recorde de minério de ferro em 2014; torna-se a maior em níquel

A Vale continua aumentando a a velocidade de exploração do minério em Carajás, que se esgotará muito mais rápido que o inicialmente previsto. E em breve com a operacionalização do projeto S11D se acrescentará uma quantidade significativa de milhões de toneladas nessa produção.
O enclave continua extraindo compulsivamente o recurso natural sem trazer um desenvolvimento que minimamente pudesse agregar uma riqueza permanente e sustentável para a região e seus habitantes.
Fonte: Reuters 19/02/2015

Por Marta Nogueira e Stephen Eisenhammer
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Vale produziu recorde de 319,2 milhões de toneladas de minério de ferro em 2014, superando sua meta de extração para o ano e contribuindo para aumentar o excedente do produto no mercado global, onde os preços oscilam perto da mínima em quase seis anos.
O volume de minério de ferro produzido pela Vale, que exclui a produção atribuível à Samarco, foi 6,5 por cento superior ao registrado em 2013, informou a mineradora nesta quinta-feira.
A meta da Vale, maior produtora global de minério de ferro, matéria-prima do aço, era elevar a produção em 4 por cento para 312 milhões de toneladas.
Para 2015, a meta divulgada em dezembro é produzir 340 milhões de toneladas de minério de ferro.
A produção no quarto trimestre do ano passado somou 82,97 milhões de toneladas de minério, alta de 2,1 por cento ante o mesmo período do ano anterior e queda de 3,2 por cento em relação ao terceiro trimestre de 2014, quando a companhia registrou a melhor performance de sua história.
A empresa também bateu recorde de oferta anual de minério de ferro, de 331,6 milhões de toneladas, incluindo 12,3 milhões de toneladas adquiridas de terceiros.
Entretanto, as ações da mineradora reagiram com queda nesta quinta-feira, com as preferenciais fechando em baixa de mais de 2 por cento, segundo dados preliminares.
De acordo com analistas, o recuo das ações acontece porque, apesar dos recordes registrados, o cenário de preços do minério de ferro está muito negativo.
Segundo cálculos do analista da Planner Corretora Luiz Caetano, no quarto trimestre de 2014 os preços do minério de ferro caíram 17,7 por cento frente o terceiro trimestre e despencaram 44,8 por cento em relação ao mesmo período de 2013.
"A queda do preço eclipsa qualquer aumento de produção", afirmou Caetano.
Relatório do Citi publicado após a divulgação da produção também mostra pessimismo em relação ao cenário.
"Nós mantemos o rating de venda para a Vale, com preocupações sobre os preços do minério de ferro e fluxo de caixa", disse o texto, assinado pelos analistas Alexander Hacking e Thiago Ojea.
MAIOR PRODUTORA DE NÍQUEL

Concluída etapa de pesquisa sobre mico raro da Amazônia

Fonte: Portal Brasil: 19/02/2015 

Pesquisadores do Instituto Mamirauá estudam espécie conhecida como Marcai. Dados coletados poderão ajudar em políticas de conservação
Mico marcai avistado em campo, no sul do Amazonas
Mico marcai avistado em campo, no sul do Amazonas
Um grupo de pesquisadores do Instituto Mamirauá viajou ao sul do Amazonas para dar continuidade a uma pesquisa que vem sendo realizada no instituto desde 2012. "O objetivo geral desse trabalho é verificar a ocorrência e a distribuição de uma espécie conhecida como mico Marcai", conta o biólogo e pesquisador do Mamirauá Felipe Ennes da Silva.



O grupo deu continuidade a uma pesquisa que vem sendo realizada desde 2012
Esta foi a sexta expedição realizada no âmbito da pesquisa. Ocorrida entre 15 de janeiro e 9 de fevereiro, teve por objetivo buscar informações sobre os parâmetros populacionais da espécie, tais como densidade ou abundância. Os pesquisadores fizeram trilhas na floresta, enumerando os animais avistados.
Um grupo de cinco pessoas percorreu uma área mais ao norte, na região do Manicoré, onde se discute a criação de uma unidade de conservação da espécie.  Um segundo grupo foi à região de confluência dos rios Roosevelt e Aripuanã.
Além dos dados coletados para os micos, também foram levantadas informações sobre primatas em geral, seguindo a mesma metodologia. "Conseguimos bons dados sobre os zogue-zogue, um primata do gênero Callicebus, e de parauacus, do gênero Pithecia", conta Ennes, ao acrescentar que o grupo também está fazendo uma revisão taxonômica do gênero Mico, e há apontamentos para novas classificações de algumas espécies.
Preservação