Fonte: Valor Econômico - 07/06/2010
Autor(es): Ediane Tiago, para o Valor, de Brasília
O desenvolvimento sustentável da Amazônia é questão polêmica e exige revisão dos modelos de negócios propostos para a preservação. De acordo com Bertha Becker, geógrafa e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a venda de crédito de carbono pode limitar a produtividade da região, se for vista como única alternativa. "Temos de abandonar a ideia de mercantilizar a natureza e encontrar meios para desenvolver a economia", afirmou a pesquisadora durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em Brasília, no fim de maio.
Para ela, tornar a Amazônia improdutiva é o pior caminho. Não adianta remunerar a preservação, sem dar condições de a população trabalhar e melhorar de vida. A saída é explorar as riquezas da floresta e mantê-la em pé, gerando emprego e renda. Isso só ocorrerá se houver atribuição de valor à região, resgatando o zoneamento ecológico-econômico. Pela lógica, o modelo permitirá que a exploração dos recursos florestais seja competitivo com as atividades como extração de madeira, pecuária e agricultura. "Áreas como biotecnologia e engenharia genética são promissoras na região. Se elas gerarem mais renda que as atividades exercidas atualmente, serão opção natural", comenta Bertha.