segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A mandioca é o cheiro de Belém no Círio de Nazaré (PA), por Raimundo Nonato Brabo Alves e Moisés de Souza Modesto Júnior

Fonte: EcoDebate 09/10/2017

Além de cultura, a mandioca é sinônimo de emprego, renda e segurança alimentar aos paraenses.


[EcoDebate] Não há cultura mais tradicional no Brasil e mais ligada à vida do paraense que a mandioca. Principalmente neste momento que antecede o Círio de Nazaré, no segundo domingo de outubro. No município de Acará, maior produtor de mandioca do Brasil, distante 33 quilômetros da capital paraense, mais especificamente no ramal da Samaumeira, a movimentação de agricultores familiares da Vila do Açu é grande na colheita de raízes e folhas de mandioca, para venda nas feiras livres da região metropolitana de Belém (PA).
As raízes serão trituradas e espremidas para retirada do tucupi, um líquido amarelo usado na preparação do tradicional pato no molho do tucupi. As folhas, ricas em proteína, são moídas e cozidas para serem usadas na preparação da maniçoba. Ambos são pratos tradicionais da culinária paraense.
Esses agricultores da Vila do Açu se preparam com um ano de antecedência, plantando mandioca da variedade Ouro Preto, de polpa bem amarela, “cor de ouro”, rica em carotenóides, específica para a produção do tucupi. Neste período, que antecede o Círio de Nazaré, a demanda é elevada e a cotação da raiz de mandioca de polpa amarela é a mais alta, quando os agricultores conseguem preço acima de R$1 mil por tonelada de raiz.
Fora desta época, o preço médio varia de R$550 a R$650 a tonelada. Os agricultores também comercializam as folhas cruas da mandioca ao preço de R$1 por quilograma, no entanto, nas feiras livres de Belém as folhas são trituradas e comercializadas cruas ou pré-cozidas a preços que variam de R$ 3 a R$ 5 o pacote com um quilo para o consumidor final, respectivamente. O tucupi é vendido em média a R$ 5 por litro.
Na semana que antecede o Círio de Nazaré entram na cidade junto com os romeiros, milhares de caminhões e barcos carregados de sacos de farinha e folhas de mandioca, para o abastecimento de feiras livres e supermercados. É o produto de origem agrícola comercializado, em maior volume, na Ceasa de Belém.
O estado do Pará é o maior produtor de mandioca do Brasil, com 4,8 milhões de toneladas de raízes, em 2015, correspondendo a 21% da produção nacional. Neste ano, estimou-se que a cultura da mandioca gerou mais de 200 mil ocupações no meio rural e cerca de 95 mil pessoas trabalhando nas casas de farinha, que são agroindústrias que funcionam no estado, na informalidade com estruturas produtivas instaladas no meio rural, que processam, pelo método artesanal ou semi-mecanizado, as raízes de mandioca para produção de farinha de mesa.
Nas feiras livres de Belém, a farinha é vendida na forma de litro e, portanto, os feirantes convertem, na venda, um saco de 60 kg em 85 litros de farinha. Pagam ao intermediário R$ 200 pelo saco e vendem o litro, no varejo, ao preço médio de R$ 5 auferindo uma margem de lucro de R$ 225 por saco. Alguns feirantes vendem de cinco a sete sacos de farinha por semana, produtos originários dos municípios de Castanhal, Santa Maria do Pará e São Miguel do Guamá. Segundo depoimentos obtidos de pessoas que trabalham na feira da Travessa 25 de Setembro, uma das mais tradicionais da cidade, mais de 60 feirantes vivem da venda de farinha e outros produtos derivados da mandioca.
Estes indicadores revelam a importância econômica e social da cultura da mandioca, no contexto da geração de emprego, renda e segurança alimentar, considerando a existência de centenas de feiras livres na região metropolitana de Belém e municípios do interior do estado do Pará, em que são comercializadas farinha e demais derivados da mandioca.
Outra feirante, natural do município de Cametá, vive da venda de tucupi, também na feira da Travessa 25 de Setembro. Durante a época do Círio de Nazaré, chega a vender até 1.500 litros de tucupi ao preço de R$ 5, enquanto fora deste período, vende em média 25 litros por dia. Ela paga R$50 a R$70 por saco de mandioca, que lhe rende em média 70 litros de tucupi.
Em 2017, no Círio de Nazaré, são esperados mais de 1,5 milhões de peregrinos e milhares de turistas visitarão a cidade de Belém. Além de acompanharem as procissões terrestres e fluviais, terão como atrações turísticas a Estação das Docas, Casa das 11 Janelas, Catedral da Sé e Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, Mangal das Garças, Museu Goeldi, Bosque Rodrigues Alves e outros.
Tudo isso, degustando as delícias da culinária paraense como a maniçoba, o pato no tucupi, o tacacá, o caruru, a tapioquinha e diversos tipos de sorvetes com sabores de frutas regionais da Amazônia, tais como: bacuri, cupuaçu, açaí, muruci, taperebá, uxí e também o sorvete de farinha de tapioca.
Os agricultores familiares devem ser reconhecidos como verdadeiros protagonistas desta grandiosa festa popular e religiosa que é o Círio de Nazaré, por sua tradição milenar e pela influência de sua cultura na culinária paraense, culminando com estas delícias que são o cheiro de Belém na semana do Círio de Nazaré: a maniçoba, o tacacá e o pato no tucupi. Vale a pena conferir, com as bênçãos de Nossa Senhora de Nazaré.

números da mandioca

Raimundo Nonato Brabo Alves – Eng. Agr. M.SC em Fitotecnia, Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, e-mail: raimundo.brabo-alves@embrapa.br
Moisés de Souza Modesto Júnior – Eng. Agr. Especialista em Marketing e Agronegócio, Analista da Embrapa Amazônia Oriental, e-mail: moises.modesto@embrapa.br.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Produção de comidas típicas movimenta a agricultura e a economia no Círio de Nazaré, artigo de Alfredo Homma

 Fonte: EcoDebate 04/10/2017

Pesquisa estima produção agrícola de ingredientes típicos para atender o consumo no almoço do Círio.
Belém do Pará, na época do Círio, o inconfundível aroma do pato-no-tucupi, maniçoba e tacacá espalham-se pelos quatro quadrantes da cidade. Patrick Süskind, autor do best seller “Perfume”, lançado em 1985, que criou o personagem Jean-Baptiste Grenouille, com a capacidade de criar aromas que transmitiam atração, menosprezo, nojo, prazer, amor e ódio, não teria um cenário mais apropriado do que Belém para a sua transfiguração.
A inexistência de dados estatísticos não limita a tecer algumas especulações quanto ao consumo de jambu, tucupi e de aves (frango, pato, peru e chester), no domingo do Círio, para avaliar o volume de negócios e a importância que um maior planejamento poderia representar para a agricultura regional. O chef-de-cuisine Paulo Martins (1946-2010), no seu magnífico vídeo “Cozinha Paraense”, estabelece a relação de 1 pato para três litros de tucupi e três maços de jambu. Com estes índices pode-se especular quanto a quantidade destes ingredientes consumidos por ocasião da festividade do Círio de Nazaré.
A estimativa da Diretoria da Festa de Nazaré e do Dieese/PA é que mais de dois milhões de pessoas acompanharam o Círio 2016. Considerando que 20% desses romeiros iriam consumir o tradicional pato no tucupi no almoço daria 400 mil pessoas. Outra pressuposição é que 5 pessoas consumiriam o equivalente a um pato. Dessa forma teríamos um consumo de 80 mil patos, 240 mil litros de tucupi (12 caminhões tanque com capacidade de 20 mil litros) e 240 mil maços de jambu.
Para atender este consumo seriam necessários 5 hectares de canteiros de jambu e de 27 hectares de mandioca para a extração de tucupi para ser consumida em apenas um dia. Significa geração de renda e emprego para pequenos produtores localizados na zona Bragantina e, principalmente, nos municípios de Santo Antônio do Tauá e Santa Izabel do Pará, com destaque na produção de jambu.
Creio que muitas pessoas devem ter questionado, ao saborear essas iguarias paraenses, quem foi o descobridor de que as folhas de jambu, o tucupi ou as folhas venenosas da mandioca cozida poderiam ser aproveitadas? O mesmo vale para a farinha de mandioca proveniente de uma raiz mortal. Não existe invenção maior do que a farinha de mandioca. Segundo o ditado popular “aumenta o pouco, esfria o quente, engrossa o ralo e alimenta a gente”. Prático para armazenar, transportar, pronto para consumir, entre outras vantagens. Moldou a civilização brasileira e mundial e vem despertando o interesse dos grandes empresários no seu cultivo mecanizado.
Devemos aos indígenas da Amazônia a descoberta do jambu e do tucupi que foram combinadas com o saber dos escravos africanos no aproveitamento das folhas de mandioca cozida, criando a nossa feijoada verde.
A expansão do cultivo do jambu enseja, portanto, algumas lições importantes para o desenvolvimento regional. No momento, fica-se discutindo muito sobre a biodiversidade amazônica como algo mágico que vai salvar a região. O exemplo do jambu mostra a importância que devemos dar para os recursos da biodiversidade, à medida em que são domesticados e aqueles que já são cultivados. O uso tradicional do jambu foi ampliado como ingrediente de pizzas, coxinhas, arroz, cachaça, licor, cosméticos, fármacos, entre outros.
Devemos avançar na pesquisa sobre usos mais nobres do jambu (cosméticos, fármacos, etc.) nos quais muitas patentes estão sendo registradas nos países desenvolvidos. Constituindo-se em uma planta com possibilidades de atrair a indústria farmacêutica e cosmética mundial ou como uma hortaliça exótica, torna-se questionável tópicos sobre a legislação de acesso a biodiversidade que não estimula empresários a investirem visando a sua verticalização. O jambu já está sendo cultivado em São Paulo e em diversos países como a China, Índia e Japão.
Finalizando, o jambu que estimulou as papilas gustativas dos gastrônomos mais experimentados, poderiam trazer novos mercados para esse produto. Reforça-se a ideia de que a criação de um parque produtivo local e a sua verticalização como importantes para o desenvolvimento de uma agricultura amazônica baseado em produtos da sua biodiversidade.
Alfredo Homma – pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Está aberta a Chamada Pública nº 01/2017 "Consolidação e fortalecimento de cadeias de valor sustentáveis e inclusivas"

Fonte: BNDES 10/08/2017

O Fundo Amazônia, lançou no dia 9 de agosto de 2017 a Chamada Pública nº 2017/01, Consolidação e fortalecimento de cadeias de valor sustentáveis e inclusivas, para financiar, com recursos destinados de R$ 150 milhões, até dez projetos de conservação e uso sustentável da Amazônia Legal com foco em atividades. 

As propostas e atividades apoiadas devem beneficiar prioritariamente povos e comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, pescadores artesanais, aquicultores familiares e agricultores familiares localizados na Amazônia Legal.

Os projetos desta nova chamada pública deverão ser apresentados na modalidade aglutinadora. Ou seja, a entidade proponente deverá aglutinar pelo menos 3 subprojetos de outras organizações, de forma integrada e coordenada. 

Cada projeto poderá receber de R$ 10 milhões a R$ 30 milhões de forma não-reembolsável e terá que abranger pelo menos uma das seguintes atividades econômicas:

•Manejo florestal madeireiro e não madeireiro, incluindo manejo de fauna silvestre.
•Aquicultura e arranjos de pesca.
•Sistemas alternativos de produção de base agroecológica e agroflorestal.
•Turismo de base comunitária.

O período de inscrição de projetos vai até dia 7 de dezembro de 2017. A divulgação final dos aprovados está prevista para 13 de abril de 2018. Os projetos poderão ser apresentados por associações, cooperativas, fundações de direito privado e empresas privadas.

Esclarecimentos adicionais podem ser obtidos por meio da caixa postal cadeiasdevalor.2017@bndes.gov.br
Clique aqui para acessar a página da Chamada para mais informações.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Agroecologia na prática: Comunidades mostram que é possível produzir alimentos saudáveis sem agredir o meio ambiente

Fonte: EcoDebate 18/07/2017

Reportagem de André Antunes – EPSJV/Fiocruz

Agroecologia na prática: Comunidades mostram que é possível produzir alimentos saudáveis sem agredir o meio ambiente

Divulgar experiências exitosas de produção agroecológica e de organização comunitária foi um dos objetivos da Caravana Agroecológica do Semiárido Baiano, que percorreu localidades ao longo do São Francisco, no norte da Bahia, entre os dias 26 e 30 de junho.
Com esse objetivo, a caravana, que reuniu cerca de 70 pessoas de diversas organizações, entre elas a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), visitou, no dia 29 de junho, a comunidade de Coxo de Dentro, localizada na cidade de Jacobina, para conhecer o trabalho desenvolvido pela Associação Comercial dos Moradores e Agricultores de Coxo de Dentro. Com 112 membros, a associação, criada em 2000, vem trabalhando na organização do trabalho de extração do babaçu feita pelos moradores da comunidade e também na indução da transição agroecológica na produção da agricultura familiar local.
A comunidade fica em uma região de transição da caatinga para a mata atlântica, uma área com elevados índices pluviométricos e rica em nascentes, que abastecem alguns dos rios mais importantes do norte da Bahia, como o Itapicuru. “A gente tenta mostrar para a comunidade que é melhor para o meio ambiente e para a saúde produzir de maneira sustentável, sem utilizar nenhum tipo de agrotóxico nem fertilizantes químicos”, diz Robério Santos de Jesus, presidente da associação, que explica que as lavouras utilizam um biofertilizante natural produzido ali mesmo. “A variedade da produção também combate os insetos. Ao invés de plantar uma coisa só, você vai diversificando a produção, para que o inseto ataque uma planta e já não ataque outra”, explica Robério, que ressalta ainda a importância da rotatividade de culturas para a preservação dos solos, que reduz a necessidade de utilização de fertilizantes.
A extração do babaçu, que complementa a renda gerada pela comunidade através da comercialização da produção em feiras orgânicas da região, também é feita de acordo com os princípios da agroecologia: as palmeiras ocorrem naturalmente na região, e somente os frutos que caem no chão são recolhidos. Na associação local é feito o beneficiamento. “É um produto que se aproveita tudo. Aqui a gente faz carvão, faz o óleo do babaçu, faz sabonete, hidratante e também faz bijuterias, artesanato”, lista Robério.
Ieda Amaral, moradora da comunidade que trabalha na extração do babaçu, conta que anteriormente era comum a retirada dos cachos do alto das palmeiras. “Eu mesma cortei muito cacho de babaçu para vender na feira. A gente não tinha uma sobrevivência boa. Não era certo, mas eu era obrigada”, lembra Ieda, que completa: “Depois que a gente foi trabalhando, vendendo as coisas da roça, foi que a gente foi aprendendo a trabalhar na roça e deixar mais o coco sossegado. Quando a gente cortava não tinha quase coco no mato. Hoje tem muito”, ressalta. Ieda conta ainda que a transição para a agroecologia em seu roçado significou mais diversidade para sua produção e alimentação. “Hoje só compro no mercado o que não produzo aqui: arroz, feijão e carne. O resto eu planto: cenoura, beterraba, agrião, alho-poró, cebolinha, abóbora…” enumera. Antes, continua, ela plantava apenas banana e mandioca, e usava venenos pra combater pragas na lavoura. “Depois que eu aprendi a trabalhar assim me sinto outra pessoa, mais esperta na vida”, comemora.

Comunidade quilombola gera renda a partir da organização comunitária

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Após veto, governo envia ao Congresso novo projeto que reduz a Flona do Jamanxim, no Pará

Fonte: EcoDebate 15/07/2017

 Árvore jovem de cedro divide espaço com legumes e verduras na horta de Cláudio, que trabalha com o sistema agroflorestal, no assentamento Vale do Amanhecer, no município de Juruena. Os sistemas
A Floresta Nacional é uma categoria de unidade de conservação de uso mais restrito que a Área de Proteção Ambiental (APA). Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

O governo federal enviou ao Congresso um novo projeto de lei que diminui os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, para criar uma Área de Proteção Ambiental (APA), unidade de conservação de uso mais flexível. A nova proposta foi elaborada após veto do presidente Michel Temer a duas medidas provisórias alteradas pelos parlamentares para reduzir a Flona.
O novo projeto de lei prevê que a APA do Jamanxim terá cerca de 350 mil hectares e permitirá a regularização fundiária de propriedades existentes na região. Já a Flona do Jamanxin, que foi criada em 2006 e tem 1,3 milhão de hectares, será reduzida para 954 mil hectares. De acordo com o governo, as ações propostas têm como objetivo reduzir o desmatamento, diminuir os conflitos e fortalecer as ações de governança na região.
Em junho, diante da mobilização de ambientalistas, Temer voltou atrás na proposta de alterar os limites da floresta e vetou integralmente a medida que previa a redução da Flona do Jamanxim. Desde então, a rodovia BR-163 tem sido palco de manifestações de produtores rurais que pedem a redução da área da floresta nacional. Na semana passada, dois caminhões cegonha que transportavam viaturas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram incendiadas durante uma emboscada em um município da região.
Uma das principais diferenças entre uma floresta nacional e uma Área de Proteção Ambiental é que a primeira permite apenas a presença de populações tradicionais, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas. Já a APA admite maior grau de ocupação humana e existência de área privada. A alteração na área da Flona do Jamanxim visa principalmente atender ao projeto de construção da ferrovia Ferrogrão, que liga Sinop, em Mato Grosso, ao Porto de Miritituba, no Pará.
Entidade critica retrocesso

França vai vetar importação de produtos ligados ao desmatamento da Amazônia

Fonte: Rádio França Internacional-RFI 06/07/17

mediaLe ministre français de la Transition écologique et solidaire, Nicolas Hulot, présente sur «plan climatique» sur cinq ans, le 6 juillet 2017 à Paris..REUTERS/Charles Platiau
O ministro francês da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, apresentou nesta quinta-feira (6) em Paris seu plano para o clima para os próximos cinco anos, que integra o acordo votado na Conferência de Paris, em dezembro de 2015, de luta contra o aquecimento global.
Em uma entrevista coletiva na sede do Ministério, Hulot declarou que as ações serão colocadas em prática paulatinamente. O ecologista anunciou que vai bloquear a importação de produtos florestais ou agrícolas que contribuam para o desmatamento no mundo, principalmente na Amazônia, no sudeste da Ásia e no Congo. Entre os principais itens estão o óleo de palma e soja. "Vamos colocar um fim ao desmatamento importado", ressaltou."Esta decisão é importante porque impede de incorporar esse tipo de óleo nos biocombustíveis", explicou.
O ministro ainda reafirmou o compromisso do país com a neutralidade de carbono. Até 2035, para cada grama de carbono emitida, a mesma quantidade deverá ser retirada da atmosfera.
Para isso, a diminuição da circulação de veículos é essencial. Até 2040, declarou o ministro francês, não haverá mais veículos a diesel e gasolina. A ideia é ajudar financeiramente a população mais modesta a trocar seu veículo tradicional por um carro elétrico.
Outras medidas envolvem o fim, até 2022, da produção de eletricidade a base de carvão, e de investimentos de cerca de € 4 milhões para lutar contra a “precariedade energética.” O preço da tonelada de carvão será superior a €100, disse. Até o final do outono, uma lei também será adotada para colocar um fim à autorização para exploração de petróleo e gás.
Nuclear e desmatamento
O ministro da Ecologia também anunciou que a redução de 50% da parte nuclear na produção de eletricidade até 2025 “é um objetivo que a França espera atingir”. “Meu desejo é dar início a um processo irreversível”, concluiu.

A AMAZÔNIA É MUITO MAIS DO QUE A GRANDE FLORESTA: TEM GENTE LÁ




Fonte: Revista Nexo em 05/07/2017
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A visão da Amazônia como objeto profícuo para o resto do país, criada e historicamente consolidada nas políticas públicas nacionais, retira dos territórios amazônicos o componente mais primordial e originário de qualquer ciclo de desenvolvimento: os recursos financeiros disponíveis na economia local

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Google lança plataforma interativa com histórias inéditas sobre Amazônia e 'transporta' internauta para floresta

Histórias do "Eu Sou a Amazônia" são contadas por comunidades indígenas e quilombolas
Fonte: noticiasR7.com 12/07/2017
Marta Santos, do R7
Ferramenta permite navegar pela floresta e conhecer histórias de tribos e comunidades locais
Ferramenta permite navegar pela floresta e conhecer histórias de tribos e comunidades locaisDivulgação
O Google lançou nesta terça-feira (11) uma nova ferramenta interativa que aproxima os internautas da Amazônia e faz com que cada um descubra suas próprias conexões com a floresta.
Dirigido pelo cineasta Fernando Meirelles, o projeto “Eu sou a Amazônia”, do Google Earth, apresenta 11 histórias contadas por comunidades indígenas e quilombolas da região, que abordam diferentes aspectos da vida na floresta, incluindo os desafios e as ameaças a esse ecossistema.
Por meio de textos, vídeos, fotos, mapas e realidade virtual em 360°, o projeto tem como objetivo mostrar como “a floresta faz parte da nossa vida é nós da dela”, explica o cacique Almir da tribo Suruí.
— A tecnologia do Google ajuda a criar um futuro melhor, a construir a consciência de que somos todos iguais. Nossa luta é para conscientizar o mundo e dizer "vamos juntos". A floresta não é patrimônio apenas do povo indígena, mas do brasileiro e do mundo todo.
Essas histórias são o resultado de um projeto que começou há dez anos, quando o cacique descobriu o Google Earth e viu seu potencial para proteger o legado e as tradições de seu povo. Almir propôs uma parceria ao Google, que resultou na criação do Mapa Cultural dos Suruí, o primeiro projeto liderado por um povo indígena para combater o desmatamento e mapear o estoque de carbono de suas terras.
Rogério Pereira, da Arqmo (Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná), conta que a plataforma também contribui muito para sua comunidade.
— Nós conseguimos ver como é o nosso território, explicar onde estão as aldeias, ter uma ideia melhor de quantas pessoas nós somos e onde essas pessoas estão. Além disso, podemos tentar encontrar locais em que esteja tendo extração ilegal [de recursos naturais].
O lançamento conta com o apoio do ator Cauã Reymond.
— O projeto fala sobre proteção do que é nosso, dos nossos recursos naturais e de como explorá-los de uma forma correta e que proteja a Amazônia. O Google está proporcionando as ferramentas para a gente dar continuidade a isso e eu fico muito feliz de participar desse projeto. 
“Eu sou a Amazônia” está disponível por meio do navegador Chrome e aparelhos Android, com tradução para português, inglês e espanhol. Para acessar a plataforma, entre em: g.co/EuSouAmazonia
Conheça um pouco sobre cada uma das histórias contadas:

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Viaturas do Ibama são incendiadas em emboscada entre Altamira e Novo Progresso, área de conflitos no Pará

Fonte: EcoDebate 08/07/2017

Dois caminhões-cegonhas que transportavam 16 viaturas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram alvo de uma emboscada entre Altamira e Novo Progresso, no sudoeste do Pará, perto da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim.
Segundo a Superintendência do Ibama no estado, cada caminhão-cegonha transportava oito veículos alugados para substituir parte da frota em uso. Nesta madrugada, ao parar em um posto de combustível da BR-163, próximo do distrito de Castelo de Sonhos, em Altamira, os caminhões foram atacados por pessoas ainda não identificadas.
O grupo pôs fogo em um dos caminhões, destruindo oito das viaturas, todas identificadas com a logomarca do Ibama. A ação policial impediu que o grupo ateasse fogo no segundo caminhão-cegonha.
Criada em 2006, a Flona do Jamanxim gtem 1,3 milhão de hectares (cada hectare corresponde às medidas aproximadas de um campo de futebol oficial). De acordo com o Ibama, a Flona integra a região mais crítica do desmatamento na Amazônia, em parte pela proximidade da BR-163. Há tempos a região é palco de conflitos entre madeireiros, garimpeiros, índios, ambientalistas e agentes do Estado.

É preciso interpretar a regeneração em terras desmatadas na Amazônia brasileira, aponta estudo

Fonte: EcoDebate 13/07/2017

desmatamento
 Segundo a análise, vegetação secundária precisa ser incorporada às políticas públicas do Brasil
O Climate Policy Initiative/ Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-Rio (CPI/ PUC-Rio) lança, através doprojeto INPUT, um estudo que alerta para a necessidade de interpretar o crescimento da regeneração que ocorre em terras desmatadas na Amazônia brasileira – conhecida como vegetação secundária. A análise é um primeiro passo para auxiliar formuladores de políticas públicas a se atentarem para a regeneração florestal, a fim de promover uma política eficaz de conservação e de uso da terra.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), quase um quarto da área desmatada na Amazônia brasileira até 2014 continha indício de regeneração, totalizando 17 milhões de hectares de vegetação secundária. Apesar disso, a regeneração permaneceu invisível por muito tempo. Um dos motivos é uma característica dos atuais sistemas brasileiros de monitoramento e quantificação de desmatamento, que foram desenhados para detectar apenas vegetação primária.