terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Surfista Karol Knopf estreia série ‘60 dias na Amazônia’ nesta terça-feira (24), no Canal OFF

Fonte: A Crítica(AM) 24/02/2015
Ao longo de 14 episódios, o telespectador confere as aventuras de Karol em uma viagem que começa no Peru, pelas nascentes do rio AM, no rio Apurímac

Apresentadora diz que não vai esquecer o contato com as crianças
Apresentadora diz que não vai esquecer o contato com as crianças(Divulgação/Pedro França/Canal OFF )
Apresentadora do Canal Off, a surfista Karol Knopf queria sair da zona de conforto. Acostumada com as ondas do mar, ela topou de imediato a proposta de se aventurar com sua prancha de Stand Up Paddle (SUP) pelas águas do rio Amazonas. É ela quem comanda a partir de hoje, às 21h (horário de Manaus), a série “60 dias na Amazônia”.
Ao longo de 14 episódios, o telespectador confere as aventuras de Karol em uma viagem que começa no Peru, pelas nascentes do rio Amazonas, no rio Apurímac. Ela acampa nos Bosques de Nuvens nos Andes, onde começa a Floresta Amazônica e consegue entrar na Zona Proibida do Parque de Manu, onde existem índios que ainda vivem isolados. Na trajetória, a apresentadora ainda passa pelo Alto Xingu até chegar ao delta do rio Amazonas. As imagens ficam por conta do renomado diretor de fotografia Sylvestre Campe.
“A ideia surgiu de uma conversa da equipe. Sempre fiz mar, queria sair da zona de conforto. Daí a proposta de desbravar a Amazônia soou diferente e interessante”, conta Karol, que embarcou com uma equipe de mais três pessoas para iniciar o projeto.
“Quem vive na cidade grande e tem a oportunidade de vivenciar este universo, onde você pode ser quem você é o tempo inteiro, volta muito diferente, com a cabeça mudada mesmo. É quase um tapa na cara”, revela Karol, que conta ainda que quando retornou da jornada na Amazônia ficou isolada por uma semana, de tudo e de todos.
LONGE DO ÓBVIO
Segundo Karol, os telespectadores poderão observar uma outra Amazônia, diferente e bem longe do óbvio. “Vocês poderão se aprofundar nas raízes brasileiras, surpreender-se com uma região bela e encantadora”, conta a apresentadora, que já teve a oportunidade de conhecer outras partes do mundo como Tailândia, Filipinas, Chile, Indonésia, entre tantas outras.
Questionada qual foi o momento mais marcante da trajetória, a carioca fala da experiência de se hospedar em uma aldeia indígena quase intocada pela civilização. Lá, ela ficou na oca do cacique e participou de atividades como danças, lutas e até mesmo de uma pescaria, onde normalmente só participam os homens. “Fui camuflada de carvão, pois os índios acreditam que com isso espanta-se as piranhas”, recorda Karol. “Apesar de nem todos falarem português, fui extremamente bem recebida por todos. Trata-se de uma grande família, onde todos são iguais”, observa.
Companheira das aventuras de Karol, a prancha inflável de SUP foi motivo de festa para todos na aldeia. “Eles ficaram enlouquecidos, principalmente as crianças. Nunca vou esquecer daqueles olhares inocentes e verdadeiros”, recorda a carioca. Uma experiência realmente inesquecível.

Especialistas criticam ideia de levar água do rio Amazonas ao Sudeste

Fonte; Portal Amazônia 13/02/2015


O transporte de água do Norte para outras regiões do Brasil seria complexa e traria mais custos que o esperado ao consumidor final

MANAUS – Há dez dias, o governador do Amazonas, José Melo (Pros), defende a ideia de levar água do rio Amazonas à região Sudeste do Brasil. Sem dar detalhes sobre a possível obra, o governador comparou a intervenção a dutos que conduzem óleo e gás entre localidades distantes. Partindo desta premissa, o Portal Amazônia conversou com membros do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Amazonas (Crea-AM) sobre a viabilidade da obra. Questões ambientais, econômicas, de infraestrutura e de saúde são alguns dos empecilhos apontados pelos profissionais.
“A água transportada por um duto teria um custo muito alto para o consumidor final. Os custos envolvem preço de construção, manutenção, energia elétrica para bombeamento e custo de tratamento da água”, aponta o geólogo Ingo Wahnfried. Ele explica que derivados de petróleo custam mais caro e, por isso, seu transporte através de estruturas complexas como um duto, os tornam economicamente viável. Ingo cita como exemplos o Alasca, onde há duto de 1.287 km, e o Gasbol, que traz gás da Bolívia para o Brasil, e possui 3.150 km.

Obra para levar água da Amazônia ao Sudeste incluiria dutos como os que conduzem óleo e gás entre localidades distantes. Foto: Reprodução

Para o presidente da Associação de Engenheiros Ambientais do Amazonas, Oziel Mineiros, a existência de obras semelhantes ao redor do mundo abre precedentes para a execução de uma intervenção bem sucedida na Amazônia. “Ao tomar com base projetos e estudos já realizados em cidades brasileiras e europeias, há viabilidade, sim. Mas tanto as tecnologias atuais quanto a infraestrutura precisam ser adaptadas em virtude da distância, vazão e outros pontos técnicos deste possível aqueduto”, pondera.

Software vai medir impacto da pressão humana em florestas inundáveis

Fonte: Amazônia.org.br 24/02/2015

O Instituto Mamirauá, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e a Universidade Federal do Pará lançaram um software para medir o impacto da pressão humana em florestas inundáveis. O Índice de Antropização de Florestas Inundáveis (IAFI), disponível para download no site do Instituto Mamirauá (www.mamiraua.org.br/iafi), resulta em um dado numérico obtido a partir da análise de 15 indicadores de pressão humana. Esse dado numérico poderá variar entre zero (áreas sem impacto) e um (áreas com muito impacto).
“O IAFI surge como uma referência e importante ferramenta para identificar e quantificar essa pressão humana para o desenvolvimento de estratégias de conservação. A importância de entender e monitorar estas mudanças está ligada a definição de melhores estratégias para conservação e desenvolvimento sustentável destes ambientes”, disse o pesquisador associado do Instituto Mamirauá, José Leonardo Magalhães. O projeto foi concebido ao longo dos últimos quatro anos e os quinze indicadores estão divididos em três grupos. Cada indicador, em cada um desses grupos, possui um peso diferenciado variando entre um e dois pontos.

Metano da amazônia vem de rebanhos e queima de biomassa

Fonte: Amazônia.org.br 24/02/2015

A bacia amazônica é responsável por 4% a 5% das emissões de metano (CH4) — um dos gases do efeito estufa — em todo o mundo.  O dado faz parte de pesquisa do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), entidade associada à USP, que determinou a emissão de metano entre os anos de 2010 e 2013, a partir da coleta de amostras de ar em quatro pontos da região, feita em aviões de pequeno porte.  O trabalho da bióloga Luana Santamaria Basso aponta também que o manejo de rebanhos é responsável por 19%, em média, das emissões estimadas para cada um dos locais de estudo, enquanto a queima de biomassa contribui com 8% a 10% da emissão estimada para a área da amazônia brasileira.
O estudo, descrito em tese de doutorado apresentada no Ipen, fez parte de um grande projeto de pesquisa que tem como objetivo entender e determinar as emissões dos principais gases do efeito estufa da Amazônia. “Foram realizadas coletas em quatro localidades distribuídas na Amazônia Brasileira, formando um grande quadrante representando toda a Bacia, próximos às cidades de Santarém (Pará), Alta Floresta (Mato Grosso), Rio Branco (Acre) e Tabatinga (Amazonas)”, conta Luana. “Os estudos procuram observar como a amazônia contribui e quais são os processos que interferem nestas emissões, de modo a compreender como a região pode responder às futuras alterações climáticas”. O trabalho foi orientado pela professora Luciana Vanni Gatti, coordenadora do projeto no Laboratório de Química Atmosférica (LQA) do Ipen.
Na pesquisa foram realizados perfis verticais para as coletas de ar, utilizando aviões de pequeno porte, desde aproximadamente 300 metros (m) da superficie até 4,4 quilômetros (km), nos quatro locais de estudo na amazônia. “Foram realizados quatro anos de medidas continuas em escala regional, quinzenalmente, totalizando 293 perfis verticais realizados”, conta a pesquisadora. “Os perfis verticais são realizados tendo como base um plano de voo, preparado previamente, que indica para o piloto a localização e em quais altitudes devem ser feitas as coletas”.

PF e Ibama prendem maior desmatador da Amazônia

Fonte: UOL 23/02/2015

  • Divulgação/Ibama
    O grileiro Ezequiel Antônio Castanha, considerado o maior desmatador da Amazônia, é preso em operação do Ibama em conjunto com a Polícia Federal em Novo Progresso, no Pará
    O grileiro Ezequiel Antônio Castanha, considerado o maior desmatador da Amazônia, é preso em operação do Ibama em conjunto com a Polícia Federal em Novo Progresso, no Pará
O Ibama e a Polícia Federal Ambiental do Pará prenderam no último sábado (21) o grileiro Ezequiel Antônio Castanha, considerado o maior desmatador da Amazônia, segundo informou nesta segunda-feira (23) a organização ambiental. Ele foi preso em Novo Progresso, no Pará. A prisão chegou a contar com apoio da Força de Segurança Nacional.
Castanha é acusado de dirigir uma quadrilha que se apoderava ilegalmente de terras de titularidade pública na Amazônia para depois desmatá-las e vendê-las como pasto a um preço elevado.
A quadrilha operava na região ao redor da BR-163, no Pará, e segundo cálculos do Ministério Público estadual, era responsável por 20% do desmatamento ocorrido na Amazônia brasileira nos últimos dois anos. Somente a família do grileiro seria responsável por quase R$ 47 milhões em multas junto ao Ibama, sem incluir os autos de infração em nome dos demais integrantes da quadrilha.
A prisão de Castanha é parte de uma operação contra desmatadores realizada em agosto do ano passado, na qual o líder da quadrilha não tinha sido detido.
Ezequiel Castanha será julgado pela Justiça Federal e poderá receber pena de mais de 46 anos de prisão pelos crimes de desmatamento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos, entre outros.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Ideia de político (Transposição das águas do Rio Amazonas)

Fonte: Agenda Amazônica de Lucio Flavio Pinto 11/02/2015



O rio Amazonas despeja no Oceano Atlântico 230 milhões de litros de água por segundo, em média. Bastaria a vazão de menos de uma hora para encher todo o sistema Cantareira, o principal manancial de água de São Paulo, a grande cidade mais afetada pela atual estiagem no Brasil. O reservatório tem capacidade para pouco menos de um trilhão de litros de água.
Logo, transferir água do mais extenso e caudaloso rio do planeta para o sul do país não causaria nenhum problema. A transposição seria de uma fração da sua descarga, que representa 8% de toda a água superficial doce da Terra, que, como todos sabem, também é uma fração da água total, quase toda ela nos oceanos e mares.
A ideia da transferência, apresentada pelo governador do Amazonas, José Melo, só pode ser levada a sério para provar que não deve ser levada a sério. Ela esbarra em dois problemas. Um, é o custo. Provavelmente sairia mais barato dessalinizar a água do mar, o que dá uma ideia do quanto seria preciso investir em três mil quilômetros (ou mais) desse aqueduto ou canais.
O outro problema é técnico. Se as companhias de água não garantem a qualidade do produto que bombeiam por alguns quilômetros, como dariam conta do desafio dessa imensa linha? Já imaginou quantas subestações seria preciso construir, com fabulosa potência para bombear a água por tão longa distância? E a estação de tratamento para tornar potável a água carregada de sedimentos do Amazonas, mesmo que só fosse necessário decantá-la?
Deixando de lado essa ideia de político, proponho a quem se interessou pelo assunto pensar na seguinte alternativa: a gestão dos rios aéreos, a massa de água armazenada, processada e lançada à atmosfera pela floresta amazônica, que quase equivale ao total da descarga do Amazonas no mar.
Quantos bilhões e meio de reais teriam que ser realmente aplicados nessa transposição de água? Certamente muito mais do que os quase 9 bilhões previstos para os pouco mais de 700 quilômetros do São Francisco, projeto inicialmente concebido para custar três vezes menos.
Uma parcela desse dinheiro seria mais bem utilizada para criar os mananciais florestais de água. Os Estados mais prejudicados pela estiagem ou que estivessem dispostos a se beneficiar da transferência natural de água pelas nuvens que migram da Amazônia para o sul, formariam um fundo, que a União complementaria.
Esse dinheiro seria usado para comprar áreas degradadas pelo desmatamento na Amazônia, nas quais seriam criadas florestas de serviços ecológicos. Sua única finalidade seria a de manter o processo natural se retenção da água vinda do oceano e de evapotranspiração dos maciços florestais, garantindo as correntes de umidade para as áreas carentes do outro lado do Brasil.
Seria um projeto de longo prazo, que exigiria a formação de pessoal qualificado para atuar em campo e na retaguarda, a criação de uma polícia especializada (como a Polícia Montada do Canadá), para reprimir e combater grileiros e madeireiros, e uma estrutura administrativa refratária a ingerências políticas e corpção.
O projeto pode até não dar certo num país como o nosso, mas não parece tão estapafúrdia quanto a ideia do governador amazonense, que está causando preocupação a quem devia estar tratando de questões mais reais ou urgentes. Ou mais assentadas no plano da terra.

Carajás vai acabar


Fonte: Lúcio Flávio Pinto: A Vale que vale 03/02/2015
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Carajás está numa escala alucinante de produção. Neste ano, as minas da Vale na serra deverão produzir 150 milhões de toneladas de minério de ferro. No segundo semestre de 2016 o maior projeto de mineração atualmente em curso no mundo, conhecido pela sigla S11D, entrará em operação.
Agregará mais 50 milhões de toneladas a partir de 2017 e chegará ao seu máximo, de 90 milhões de toneladas, no ano seguinte. Carajás, no Pará, atingirá então a marca de 230 milhões de toneladas anuais, quase 10 vezes o máximo que a antiga Companhia Vale do Rio Doce imaginava alcançar quando começou a explorar a melhor jazida de ferro do planeta, 30 anos atrás.
Nesse ritmo, a jazida que o S11D irá lavrar, ao sul da atual frente de produção, considerada o filé-mignon dos depósitos de minério, se esgotará em 40 anos, tempo curto para a escala da mineração de ferro. É uma velocidade assustadora. Nem por isso, entretanto, está assustando de verdade. Parece coisa trivial, que não atrai o interesse da opinião pública, nem mesmo do Estado onde a riqueza está localizada.
Esse incremento excepcional tem uma explicação: o preço atual do minério de ferro no mercado internacional já está na metade (69 dólares a tonelada) do pique alcançado em meados dos anos 2000, quando chegou a até US$ 140. Acredita-se que o valor ainda cairá mais um pouco, o que acarretará a inviabilização de mineradoras que trabalham com escala mais reduzida ou utilizam minério menos rico.
A Vale conta exatamente com esses fatores: produz cada vez mais e o minério de Carajás é o de mais alto teor que existe. A companhia tem condições de se manter no mercado e até expandir sua participação, aproveitando o fechamento de muitas minas sem a mesma competitividade. Ainda terá uma margem de lucro com US$ 60 a tonelada, desde que compense a queda do valor relativo com a expansão da produção bruta.

Verdades e mentiras sobre roubo de água na Amazônia

Fonte: Portal Amazônia 11/02/2015

A preocupação com a hidropirataria, ou roubo de águas, dos rios da Amazônia tem gerado discussões; saiba mais
Navio cargueiro aportado no Brasil. Foto: Divulgação/PAC

MANAUS – A crise hídrica na região Sudeste suscita discussões, entre as quais, sobre a soberania do País em relação a água. Um dos assuntos que ganha força nas redes sociais diz respeito à hidropirataria, o roubo de água por navios estrangeiros na Amazônia. O Portal Amazôniaprocurou a Agência Nacional de Águas (ANA) e mostra abaixo o que é fato e o que é boato sobre o tema. Confira:
Navios estrangeiros roubam água dos rios da Amazônia?
Roubar não seria a palavra correta. Navios estrangeiros captam, sim, água dos rios da região. Só que a intenção não é furtar. As embarcações acomodam o líquido precioso em tanques nos seus porões como água de lastro. Quando um navio tanque ou graneleiro, por exemplo, desembarca a carga ele precisa compensar a perda de peso para ter estabilidade e navegar com segurança. E encher estes compartimentos com água confere essa estabilidade. 
Segundo o analista da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingos, a prática não é ilegal e não configura roubo. “Não temos notícia fundamentada de roubo de água. Existe a captação de água de lastro de navio, mas esta prática é legal e regulada por norma internacional”, destaca. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o uso da água de lastro faz parte dos procedimentos operacionais usuais do transporte aquaviário moderno, sendo fundamental para a sua segurança. “Através da sua utilização planejada, é possível controlar o calado e a estabilidade do navio, de forma a manter as tensões estruturais do casco dentro de limites seguros”, diz o site da agência. A captação e descarte ocorrem em todo Mundo, principalmente em áreas portuárias.
A prática é tratada com muita atenção, pois é através dela que bioinvasores como o mexilhão dourado chegam a todos os continentes. Esta, sim, é uma preocupação real. 
É verdade que essa água retirada é vendida em outros países?

Mexilhão Dourado ameaça rios da Amazônia

Fonte: Portal Amazônia 10/02/2015
Espécie de molusco chegou à América do Sul no lastro de navios estrangeiros; espécie já causa problemas na região Centro-Oeste
Mexilhão dourado e sua concha. Foto: Divulgação/FZB-RS

MANAUS – O mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), molusco considerado uma espécie exótica invasora em rios da América do Sul, pode chegar à Amazônia. Sua presença traria consequências severas ao ecossistema da região. Os problemas seriam desde mudanças na qualidade da água, entupimento de sistemas de captação de água, danos a embarcações até eliminação de espécies nativas. “A introdução do mexilhão dourado poderá ser, talvez, retardada, não sei se evitada”, alerta a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal, Márcia Divina de Oliveira.

“Um programa de prevenção da invasão do mexilhão dourado, considerando suas principais vias de introdução, poderia ser implantando nas bacias onde ainda não se tem o mexilhão dourado, como na Amazônia”, completa. O mexilhão dourado é um molusco originário do Sudeste da Ásia. A espécie chegou ao continente sul-americano, provavelmente, de modo acidental na água de lastro de navios cargueiros. A Argentina teria sido a porta de entrada.
Grade de metal tomada pelo mexilhão dourado. Foto: Divulgação/Ibama

Os impactos causados pela presença do mexilhão dourado dependem de quanto o mexilhão se desenvolve. “Em ambientes naturais, a densidade pode não ser tão alta e os impactos podem ser amenizados. Na Amazônia, existem muitos ambientes naturais, como no Pantanal, onde a densidade do mexilhão não é tão alta quanto nos sistemas construídos”, explica.
Por outro lado, em sistemas como reservatórios para a geração de energia em usinas hidrelétricas, a densidade do molusco é muito alta e os danos ambientais e econômicos à altura. Segundo a pesquisadora, principalmente nas estruturas de concreto e tubulações.
Márcia destaca que, para as populações ribeirinhas, a curto prazo, os danos seriam causados a embarcações, sistemas de captação de água e na piscicultura em tanques-rede. “Qualquer estrutura que fica na água seria afetada. Os mexilhões se fixam e crescem nas águas altas. Quando as águas descem, os mexilhões morrem e provocam mau cheiro, chegando até a contaminar a água”, ressalta.
Imagens de partes da Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, tomada pelo molusco. Foto: Divulgação/Itaipu

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), hoje, a espécie já foi detectada em quase toda a região Sul e em vários pontos do Sudeste e Centro-Oeste. As bacias dos rios Paraná e Uruguai, rios e lagos do sistema Guaíba, Patos-Mirim e Tramandaí, no Rio Grande do Sul, já são afetadas.
A pesquisadora da Embrapa Pantanal explica que a boa oferta de alimento e condições ambientais adequadas, como salinidade, temperatura, pH e cálcio da água favorecem a proliferação do molusco. “Nos rios de águas ácidas, com pH abaixo de 5, o mexilhão tem baixo potencial de se estabelecer, mas nos demais rios onde o pH é acima de 6, as condições são muito favoráveis”, acrescenta.
Imagem de peças da Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, tomada pelo molusco. Foto: Divulgação/Itaipu

Os rios da Amazônia podem ser separados em rios de água preta, rios de água branca e rios de água clara. O molusco não encontraria um ambiente favorável em rios de água preta, como o Rio Negro, onde o pH varia entre 3,5 e 4,0. Nem tanto em rios de águas claras como Xingu, Tapajós e Tocantins, onde o pH é de 4,0 a 7,0. No entanto, em rios de água branca como os rios Amazonas, Branco, Madeira, Juruá e Purus, que possuem pH 6,5 entre 7,0, o cenário seria favorável.
Durante a fase larval o “mexilhão-dourado” é levado livremente pela água ou por vetores (objetos que transportam a larva em sua superfície ou em seu interior) até que termina por alojar-se em superfícies sólidas, onde se fixa e cresce formando grandes colônias.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Criação de pirarucu é rentável e evita desmatamento da floresta amazônica


Fonte: Revista Globo Rural 18/02/2015

Um hectare de tanque de cultivo da espécie rende de 10 a 15 toneladas de carne, enquanto a mesma área com pecuária extensiva permite a criação de no máximo três bois, ou seja, 750 quilos de proteína

pirarucu_peixes (Foto: Amelia Guo/Creative Commons)
O pirarucu, um peixe nativo da bacia Amazônica, é a grande promessa para fixação do homem no campo e combate ao desmatamento na região Norte do Brasil. Um hectare de tanque de cultivo da espécie rende de 10 a 15 toneladas de carne, enquanto a mesma área com pecuária extensiva permite a criação de no máximo três bois, ou seja, 750 quilos de proteína. “A Amazônia pode se tornar um grande criatório de peixe e assim evitar que se derrube a mata”, diz  Osmar Façanha de Sá, presidente da Cooperpeixe, cooperativa criada em 2013 com o objetivo de se dedicar à produção de alevinos de pirarucu. O grupo é formado por 27 cooperados e trabalha com piscicultores parceiros.
O pirarucu é considerado uma das espécies mais promissoras dentre as opções para o cultivo em cativeiro. Só para se ter uma ideia, em um ano e meio, o peixe alcança 15 quilos. No mesmo período, o tambaqui não pesa mais de 3 quilos. Mas a conversão alimentar surpreendente esbarra no desafio da reprodução. A espécie não aceita o processo artificial. Pelo contrário, as fêmeas escolhem os machos e só assim o acasalamento acontece. “Quando não há desova, a gente captura os peixes para tentar entender o que houve. Às vezes, o macho é menor e a fêmea não aceita”, explica Façanha de Sá.