Essa notícia da Reuters demonstra mais uma vez que o BNDES mesmo sendo um centro de excelência e conhecimento sobre o Brasil, mas, como o próprio país, conhece muito pouco a Amazônia e a melhor forma de nela atuar. Possuindo em seus quadros os melhores especialista em estruturação e análise de projetos de desenvolvimento do país, tropeça e frusta, como tenta demonstrar a matéria, a expectativa de desembolsar recursos para a proteção e conservação do do bioma amazônico.
Reproduz uma ação centralizadora, que historicamente caracteriza a atuação do governo central através de suas elites política, financeira e acadêmica, em relação as regiões menos desenvolvidas, compreendidas como menos capazes e dependentes. Elegem alguns interlocutores, preferencialmente organizações ou instituições que possuem projetos ou ações locais na região, (embora não sejam em sua grande maioria da própria região) relegando a segundo plano instituições e detentores do conhecimento local. Muitas vezes chamam um grupo representativo à Brasília, ou ao Rio de Janeiro, conforme o caso, fazem seminários,reuniões de trabalho, utilizando os melhores métodos para identificar os problemas, e despedem aquele grupo e se envolvem com sinceridade de propósitos, dedicação entusiasmo e excelência, na construção das soluções que, quando são levadas para serem aplicadas e testadas na prática, na grande maioria das vezes não são eficazes, pelo simples fato de não levarem em consideração aspectos, que parecem irrelevantes, mas que traduzem a diversidade e multiplicidade sociocultural da região. A intenção é muito boa, mas a aplicação é que necessita, e vem sendo visivelmente melhorada.
Um outro aspecto relevante a comentar nessa matéria é a forma como é criticada a "burocracia" da instituição, pois diferentemente do que quer dar a entender um interessado no recurso, ela simplesmente traduz a preocupação com a aplicação dos recursos das diversas fontes administrados por ela, pelos quais é cobrada diuturnamente pela sociedade e seus órgãos de controle.
FONTE REUTERS BRASIL 13/01/2012
JEFERSON RIBEIRO
Um dos principais protagonistas no debate global na área ambiental, o Brasil tem frustrado a expectativa dos doadores do Fundo Amazônia, criado em 2008 para financiar iniciativas de proteção florestal no país com recursos provenientes de países desenvolvidos.
Desde 2009, o Fundo Amazônia, gerido pelo Banco do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), já recebeu cerca de 830 milhões de reais em doações, mas desembolsou apenas cerca de 70 milhões até agora para financiar 23 projetos aprovados e contratados. Foram contratados, nesse mesmo período, 260 milhões de reais.