terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Fazendas mais produtivas reduzem desmatamento


O avanço da atividade econômica não precisa ser devastador para a natureza. A utilização racional dos recursos naturais pode e deve gerar riquezas e desenvolvimento.   Estudo da Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America - PNAS apresenta um análise de caso. Quem quiser dar uma olhada, segue o link: 

Folha de São Paulo 10/01/2012

Estudo na Amazônia diz que é possível produzir mais sem ter de destruir a floresta

DE SÃO PAULO
Um novo estudo sugere que é falso dizer que para produzir mais é preciso desmatar novas áreas. Uma análise do uso de solo de Mato Grosso por uma década mostrou que aconteceu tanto uma diminuição da devastação da floresta como um aumento da produção agrícola.
Bastou saber usar bem o que existe, graças a políticas públicas e de mercado.
A pesquisa publicada na "PNAS" indica que o desmate em Mato Grosso diminuiu 30% entre 2006 e 2010 da sua média histórica recente (entre 1996-2005), apesar do aumento da produção agrícola.
O Estado é o principal produtor de soja (31% do total brasileiro). Mas também foi o campeão em destruição de floresta de 2000 a 2005.
O aumento da produção de soja entre 2001 e 2005, foi sobretudo pela expansão da cultura em áreas desmatadas e que eram pasto (74%) ou diretamente em florestas (26%).
Já de 2006 a 2010, o aumento ocorreu em 91% dos casos em áreas já desmatadas.
O estudo conclui que a queda mais acentuada no desmate coincidiu com um colapso das commodities e a implementação de políticas para reduzir o corte da mata. "A lucratividade da soja desde então aumentou para os níveis pré-2006, enquanto o desmatamento continuou a declinar, sugerindo que as medidas antidesflorestamento podem ter influenciado o setor agrícola." (RBN)

Fundo Vale expande programa de pecuária sustentável para municípios do Acre


Criado em 2009 em parceria com instituições públicas e organizações do terceiro setor esse Fundo Vale já alcança mais de 20 projetos. A pequena nota mostra mais uma ação para auxiliar na conservação da floresta, buscando soluções que possibilitem a minimização dos impactos negativos, considerando e alterando a economia do local e dando alternativas de continuidade, de forma sustentável, a uma atividade econômica (e os amazônidas nelas envolvidos e em grande parte dependentes) que é uma das grandes, se não a maior (associada a extração ilegal de madeira) ao avanço predatório do desmatamento em nossa região.   

Fonte: Brasil Econômico 10/01/2012

O Fundo Vale, criado pela Vale S.A., fechou parceria com a Amigos da Terra para promover a pecuária sustentável em seis municípios do Acre, como já havia feito no Pará e Mato Grosso.

A parceria permitirá agregar regiões do Acre ao programa Municípios Verdes e ajudará a quebrar o vínculo histórico entre o boi e desmatamento da Amazônia, promovendo a manutenção da floresta na cadeia da pecuária.
              

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Complexo vai ter cinco usinas de tamanho diferente


Matéria complementar a da postagem anterior sobre as usinas hidrelétricas no Tapajós.

Fonte o Globo 08/01/2012
Vivian Oswald


Complexo vai ter cinco usinas de tamanho diferente. Juntas ocuparão menos de 1% do espaço de instalação
BRASÍLIA. O Complexo de Tapajós terá cinco usinas de tamanhos diferentes e vão funcionar de maneira diferenciada com tecnologias adequadas às suas características. A usina de Jatobá, que terá uma queda de água de apenas 16 metros, vai ter uma pá diferenciada para aumentar seu potencial de produção de energia. Em pleno funcionamento, vai gerar 2.338 MW. A maior de todas será a de São Luiz do Tapajós, com capacidade de 6.133 MW. As usinas de Jamaxim e Cachoeira do Caí terão potencial de produção de 881 MW e 802 MW, respectivamente, enquanto a menor das cinco, Cachoeira dos Patos, terá 528 MW. Juntas, vão ocupar menos de 1% do espaço onde estão sendo instaladas.
- Hoje, usinas como Itaipu ocupam uma área. Porém têm que desmatar para fazer o canteiro de obras, alojamentos de empregados. E o lago é monstruoso. O que se está fazendo agora é diferente. Vamos desmatar e quando terminar a obra reflorestar tudo recompor tudo e ela fica deste tamanhozinho. Só a usina lá no meio, sem uma cidade em volta, como é nas outras. Operários e trabalhadores, terminada a construção, virão de helicóptero para cá em um sistema de rodízio - explica o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, apontando o mapa da Região Norte com o dedo.

Ficção científica, à la 'Avatar', no Rio Tapajós


Reagindo as cobranças da sociedade sobre o modo de intervanção dos grandes projetos na Amazônia, o governo tem feito malabarismos para dar respostas e/ou encontrar soluções diferenciadas e que possam se aplicadas com algum sucesso e com menos impactos sociosambientais.
A idéia sobre o modo de implantação das hidrelétricas no Tapajós parecem interesantes, mas precisam ser avaliadas com critérios. Contudo se percebe que já é uma iniciativa positiva, com solução que parece satisfatória, e que tem (a iniciativa) que ser continuada e expandida para todos os setores e projetos apresentados para áreas sensíveis a intervenção para exploração de recursos naturais, não só na Amazônia.

Hidrelétrica de alta tecnologia só será acessível por meio de helicóptero. Governo se prepara para críticas a novo projeto de geração de energia
Fonte O Globo de 08/01/2012
Vivian Oswald

BRASÍLIA. Mais parece filme de ficção científica. Usinas hidrelétricas de alta tecnologia no meio da selva amazônica - cercadas de floresta por todos os lados - às quais os trabalhadores só têm acesso sobrevoando a copa das árvores de helicóptero. Esta deverá ser a realidade do Rio Tapajós nos próximos anos. Este projeto ousado, que garantirá ao país mais 10.683 megawatts (MW) de energia, deve sair do papel este ano e promete provocar tanta ou mais polêmica do que a usina hidrelétrica de Belo Monte, a maior do mundo e uma das bandeiras do governo da presidente Dilma Rousseff.
Diante das intermináveis batalhas travadas durante todo o ano de 2011 em torno de Belo Monte, o governo já se prepara para o que vem pela frente com a construção de cinco novas usinas com um conceito que não existe em qualquer outro lugar do mundo. Na sexta-feira, baixou uma medida provisória que mexe nos limites de cinco unidades de conservação federais para viabilizar a construção de hidrelétricas na Amazônia.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sistemas agroflorestais como modelo produtivo para a Amazônia

“Tudo que sai da Amazônia dá certo em outro lugar.” Com essa provocação o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental Alfredo Homma chama atenção para a perda de oportunidades da região com produtos nativos, como o cacau e a borracha. A importância dessas duas culturas para geração de renda em sistemas agroflorestais foi tema de simpósio realizado na terça-feira (22), em Belém, dentro da programação do VIII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais. Atualmente o Brasil importa um terço de seu consumo de cacau e 70% da demanda de borracha. Segundo Homma, cultivos perenes como esses, em sistemas agroflorestais, seriam a vocação produtiva da Amazônia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tratado de Cooperação Amazônia e o Século XXI

Bom texto de José Ribamar Mitoso publicado no Portal Amazônia

É hora de nós, Amazônicos, construirmos a Aby-Ayala. Um continente sem fronteiras, terra de muitos povos, todos soberanos, iguais em direitos e solidários entre si. Um continente da fraternidade onde a democracia seja exercitada seguindo o princípio de mandar obedecendo e obedecer mandando. Onde exista um diálogo de saberes e cultura, onde cada povo seja livre para decidir como viver. A vida em harmonia com a natureza é condição fundamental para isto. A terra não nos pertence. Nós pertencemos a ela. A natureza é mãe. Não tem preço. ( Carta de Santarém – Fórum Social Pan-Amazônico – Nov/2010)

Em 3 de julho de 1978, oito países situados na bacia Amazônica assinaram um tratado internacional. Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela assinaram o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) com objetivos bem definidos: criar um marco jurídico de direito internacional público para viabilizar um pacto político e um bloco econômico entre os países da Pan-Amazônia.

A Guiana Francesa, por ser um Departamento Ultramarino (colônia) da França, não pôde participar do Tratado. Hoje, embora situada na Amazônia continental, está formalmente vinculada à União Europeia.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Usina Álcool Verde inicia produção comercial - 30/06/2011

Não foi citado na matéria, porém e necessário ressaltar a preocupação de todos os envolvidos no processo com as questões ambientais, que permitiram a redução dos impactos negativos da implantação da usina.

Fonte: Agência de Notícias do Acre

Produção este ano será de cerca de 5 milhões de litros - mais de 40% do que é consumido no Acre
Tião Vitor
A usina Álcool Verde iniciou nesta quarta-feira, 29, sua produção comercial. A empresa, de propriedade do Grupo Farias e associados, já está produzindo álcool e deve, em poucos anos, atender toda a demanda do Acre e exportar para o restante do país. A usina também se prepara para produzir açúcar e, da mesma forma, atender os mercados local e externo. No ano passado, a empresa funcionou em caráter experimental e produziu cerca de 1,3 milhão de litros de álcool, o que representa cerca de 10% da demanda do Estado.
Este ano, a produção será de cerca de 5 milhões de litros, o que significa mais de 40% do que é consumido no Acre. Já para o ano de 2012, a empresa planeja produzir entre 20 e 25 milhões de litros de álcool, o que garante o abastecimento total do Estado e ainda a exportação para os Estados vizinhos. Na manhã desta quarta-feira, o governador em exercício, César Messias, acompanhado de deputados estaduais e secretários, visitou a sede da indústria, localizado na rodovia BR-317, no município de Capixaba. Ali ele a assistiu a um vídeo sobre o Grupo Farias, que tem sede em Pernambuco e diversas usinas espalhadas pelo Brasil, e conheceu o processo de fabricação do álcool.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Internet tem cursos gratuitos para empreendedores

Informação útil para aqueles que desejam trabalhar o tema empreendedorismo, ou sonham em abrir seu próprio negócio. É fundamental para o desenvolvimento do país e em consequência da Amazônia, que por sua grande extensão territorial e dificuldades de acesso se ressente de locais para desenvolver sua população nas habilidades negociais. E a internet facilita a vida dos muitos interessados nesse assunto..

Fonte: Folha.com

Com um pouco de disciplina, vontade de aprender, computador e acesso a internet, é possível estudar e tornar seu negócio mais competitivo sem gastar.
Instituições como a Open Course Ware Consortium são exemplos disso. Ela congrega escolas, faculdades e universidades de todo o mundo e oferece cursos gratuitos de alta qualidade técnica e educacional em forma de publicações digitais.
São mais de 200 instituições educacionais associadas em todo o globo.

sábado, 18 de junho de 2011

O futuro da Amazônia será decidido nesta década’, entrevista com o engenheiro agrônomo Adalberto Veríssimo

Publicado em junho 17, 2011 Fonte Portal Ecodebate

Desmatamento, violência e subdesenvolvimento são características que persistem na Amazônia há mais de três décadas, constata o engenheiro agrônomo Adalberto Veríssimo
Trinta anos depois do boom de investimentos em infraestrutura, o Brasil volta a projetar a construção de grandes obras na região norte e nordeste do país, onde está localizada parte da Floresta Amazônica. Desta vez, o ciclo de empreendimentos traz à tona uma discussão atual: como ampliar o crescimento brasileiro preservando áreas florestais e garantindo qualidade de vida à população da região. “Aquele manto verde, quase impenetrável e destrutível, depois de três décadas de ocupação e desenvolvimento, está sendo degradado em função de uma economia baseada na extração dos recursos naturais de forma predatória”, denuncia Adalberto Veríssimo. Romper com a conjuntura histórica de desmatamento, violência e pobreza na Amazônia, segundo o pesquisador do Imazon, é um dos desafios do governo. Em entrevista à IHU On-Line concedida por telefone, ele afirma que “se não forem feitos investimentos correspondentes em outras áreas, o PAC, por si só, não vai resolver o problema de subdesenvolvimento da Amazônia e pode, inclusive, agravar o desmatamento e os conflitos sociais”.
Adalberto Veríssimo é engenheiro agrônomo, pós-graduado em Ecologia, pela Universidade Estadual da Pensilvânia, EUA. Cofundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon, atualmente é pesquisador sênior da instituição.

Confira a entrevista:

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sustentabilidade: adjetivo ou substantivo? artigo de Leonardo Boff

Uma reflexão coerente sobre o uso do termo "sustentabilidade" abordando a prática mais comum e sugerindo uma prática verdadeira. 

Publicado em junho 8, 2011
Fonte: Portal Ecodebate.
É de bom tom hoje falar de sustentabilidade. Ela serve de etiqueta de garantia de que a empresa, ao produzir, está respeitando o meio ambiente. Atrás desta palavra se escondem algumas verdades mas também muitos engodos. De modo geral, ela é usada como adjetivo e não como substantivo.
Explico-me: como adjetivo é agregada a qualquer coisa sem mudar a natureza da coisa. Exemplo: posso diminuir a poluição química de uma fábrica, colocando filtros melhores em suas chaminés que vomitam gases. Mas a maneira com que a empresa se relaciona com a natureza donde tira os materiais para a produção, não muda; ela continua devastando; a preocupação não é com o meio ambiente mas com o lucro e com a competição que tem que ser garantida. Portanto, a sustentabilidade é apenas de acomodação e não de mudança; é adjetiva, não substantiva.