sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Sebrae prepara negócios sustentáveis da Amazônia para oportunidades da COP 30

 

Conexões em municípios do Baixo Amazonas revelam cases que podem gerar um novo modelo de desenvolvimento econômico

Fonte: https://agenciasebrae.com.br
Por Alanda Matos, direto do Pará

Implementar um novo modelo de desenvolvimento econômico na Amazônia, integrar investimentos com iniciativas sustentáveis da região e potencializar o ambiente de negócios no Baixo Amazonas em uma perspectiva de mutualismo com a floresta. É assim que o Sebrae Nacional em parceria com o Sebrae Pará e as demais unidades da região visam trabalhar nos municípios de Belterra, Santarém, Mojuí dos Campos e o Distrito de Alter do Chão, no estado do Pará.

E para gerar esse impulsionamento aos empreendedores amazônicos, que ganha ainda mais força com a chegada da COP 30 a Belém, um roteiro de visitação a negócios, gestores e pessoas foi realizado nesses municípios paraenses. A agenda teve início na manhã desta segunda-feira (16), em reunião com o prefeito eleito de Santarém, Zé Maria Tapajós.

Na ocasião, estiveram presentes o diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick; o diretor-superintendente do Sebrae Pará, Rubens Magno; o gerente regional do Sebrae do Baixo Amazonas, Paulo Dirceu; o gerente de competitividade nacional e conselheiro do Sebrae Pará, Fábio Krigier; o gerente adjunto da Unidade de Acesso a Mercado, Ivan Tonet e a coordenadora nacional de Biomas e Bioeconomia, Newman Costa.

Zé Maria Tapajós (esquerda), prefeito de Santarém, destaca a parceira com o Sebrae para o desenvolvimento da região. Foto: Lucas Clemente/AD Produções.

Reunião com o prefeito eleito de Santarém

A reunião foi pautada pela expectativa da COP da Floresta – como está sendo chamada a COP 30 – e um diálogo sobre como a administração pública e o Sebrae podem cooperar para imprimir na região pilares de interesse e de colaboração para posicionar Santarém como protagonista nessas discussões.

O diretor-superintendente do Sebrae Pará, Rubens Magno, lembrou que o Sebrae está nos 144 municípios do estado e desta forma, pretende acelerar os processos de bioeconomia tendo a Amazônia como grande referência.

O papel do Sebrae tem sido muito importante e tem se potencializado com a cobertura de 100% do estado do Pará. O Sebrae está na capital e nos interiores da Amazônia para costurar os processos de bioeconomia. E precisamos das parcerias, com o poder público, para avançar ainda mais com o empreendedorismo na Amazônia.

Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae Pará.

A soma de forças e a proximidade do Sebrae com o poder público também foi destacado pelo diretor-técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick. “As iniciativas podem ser um embrião para um modelo novo de desenvolvimento e o poder público tem que estar em conexão nessa parceria. A ideia é somar forças para botar de pé um novo modelo de desenvolvimento econômico e o papel do Sebrae é ser integrador. Captamos as iniciativas já existentes na região para investir nelas e gerar renda para os que vivem aqui”, comenta o diretor.

Quick também salientou as oportunidades que a COP 30 vai gerar para dar visibilidade aos modelos de negócios sustentáveis no Baixo Amazonas. “É preciso identificar essas aberturas para que Santarém seja uma vitrine não somente da COP, mas do futuro.”

Para o prefeito eleito, Zé Maria Tapajós, a parceria com o Sebrae pode posicionar Santarém como protagonista nas discussões sobre sustentabilidade, preservação da Amazônia e atração de investimentos voltados ao desenvolvimento ambientalmente responsável.

“O Sebrae é uma marca de renome que nós teremos o maior prazer de ter como parceiro. Nós queremos fazer o melhor para Santarém. Nós vivemos ao lado da riqueza e muitas vezes não sabemos como explorar da forma adequada para que a floresta permaneça em pé e vemos no Sebrae esse aporte de orientação para que isso ocorra”, complementou Zé.

Foto: Lucas Clemente/AD Produções.

Instituto Amazônia 4.0

Após a reunião, a comitiva do Sebrae seguiu de carro para o município de Belterra – distante 49km de Santarém – para conhecer a sede do Instituto Amazônia 4.0 que tem como idealizadores Ismael Nobre e Sônia dos Santos. A iniciativa une conhecimentos tradicionais à ciência e à indústria em biofábricas móveis, os Laboratórios Criativos da Amazônia (LCAs) e desenvolve métodos avançados para transformar insumos amazônicos em produtos de alto valor agregado, além de inserir moradores locais promovendo a capacitação.

Ismael reforçou que o objetivo principal do Amazônia 4.0 é fazer agregação de valor nas comunidades ribeirinhas em que atuam para que haja entrada de recursos de forma a “florescer” outras iniciativas nesses locais. “Quando chegamos na comunidade, buscamos inserir os comunitários no processo. Implantamos os LCAs que ficam dois meses capacitando a população local e multiplicam a capacitação gerando conexões. Neste momento, estamos presentes na comunidade Surucuá, localizada na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, e já imprimimos nosso legado nos comunitários”, diz Ismael.

Para reforçar o poder que a orientação e a capacitação do Instituto exerce no lado empreendedor das pessoas que profissionaliza, Ismael contou a história de Selma Ferreira, uma agricultora que faz parte da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra (Amabela) e que com a orientação do Instituto conseguiu estruturar a sua produção de Cupulate – chocolate feito da semente do cupuaçu. Desta forma, a associação só de mulheres impulsionou ainda mais o empreendedorismo feminino das agricultoras que hoje têm mais um produto beneficiado para vender nas feiras, gerar renda às suas famílias e garantir a autonomia financeira.

As similaridades de investimento capacitativo que o Sebrae e o Instituto têm, foram salientadas por Bruno Quick:

Nosso intuito é investir nos empreendedores da Amazônia assim como o Instituto faz. Percebemos aqui como o poder da soma impacta na vida do outro. A Amazônia 4.0 soma no trabalho da Amabela, exemplificado aqui com a história da Selma, e a Selma soma no trabalho das demais trabalhadoras rurais. É isso que queremos fazer: somar com os empreendedores da Amazônia para gerar uma grande cadeia de oportunidades.

Bruno Quick, diretor-técnico do Sebrae.

Conexão de ciência, indústria e natureza no MuCA

Projetos que unem saberes tradicionais e ciência de ponta, com impulsionamento do desenvolvimento sustentável e a bioeconomia. Este é o Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), também localizado em Belterra, a poucos metros do Instituto Amazônia 4.0. O espaço foi o terceiro local visitado pela comitiva do Sebrae.

O MuCA, assim como um museu, possui um acervo, mas este é diferenciado, agrega uma amostra da biodiversidade da Floresta Nacional do Tapajós e também coloca a educação e o conhecimento científico como estratégias de conservação da natureza. Para Luiz Moura, coordenador geral do Museu, a ideia é ser um grande receptivo de produtos e serviços. “Temos iniciativas que valorizam a cultura da Amazônia e queremos expressar a identidade ancestral por meio do MuCA e contamos com o Sebrae para aprimorar este objetivo.”

A empresa Bionama foi criada dentro do Laboratório de Biotecnologia de Plantas Medicinais da Ufopa. Foto: Lucas Clemente/ AD Produções.

Pesquisa e empreendedorismo na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)

A missão do Sebrae prosseguiu no município de Santarém para conhecer dois projetos de pesquisa na Ufopa. O primeiro deles é encabeçado pela professora e pesquisadora Rosa Mourão. Ela atua no Laboratório de Bioprospecção e Biologia Experimental onde, juntamente com seus alunos, trabalha com três grandes linhas de pesquisa: alimentos, óleos essenciais e fixos, e corantes naturais da Amazônia.

O laboratório tem como princípio unir três pontas: pesquisa, emprego e comércio, todos desenvolvidos e com retorno e empregabilidade para a Amazônia. E dentro desta perspectiva, desenvolvem a pesquisa ser comercializada pelas empresas, como a Deverás Amazônia; um case que vende produtos com insumos amazônicos; e a Xibé; moda sustentável com tingimentos naturais.

O segundo projeto que a comitiva do Sebrae conheceu foi a Bionama, uma empresa que trabalha com alimentos e cosméticos naturais, e que foi criada dentro do Laboratório de Biotecnologia de Plantas Medicinais. A iniciativa tem como desenvolvedores a pesquisadora e docente biotecnologista/biomédica Dra. Josiane Almeida; a pesquisadora e docente bióloga Dra. Elaine Oliveira; o empreendedor Gabriel Ranieri; a doutoranda em Biotecnologia Laenir Anjos e o engenheiro florestal Wallacy Barreto.

O empreendimento, fruto de anos de pesquisa, fomenta a bioeconomia com produtos acessíveis e sustentáveis, gerando valor para comunidades e clientes. Trabalham com uma gama de produtos como sabonetes feitos com óleos essenciais, hidratantes regenerativos feitos da manteiga de cupuaçu, brownie feito de Ora-Pro-Nóbis com alto teor proteico, farinha de Uxi Amarelo e farinha de Cumaru.

“Para a pequena empresa dar certo, ela tem que ter diferencial e agregar valor. E para isso precisa de inovação e pesquisa. O Sebrae vem para ser um integrador, fazendo um esforço concentrado para trabalhar o turismo, o design, a gastronomia, a moda, a ciência e o legado econômico, mostrando um modelo que revele um novo jeito de fazer desenvolvimento econômico para construir políticas de apoio para que haja recursos e investidores para fazer pesquisa, mostrando o melhor do Pará e promovendo potencial para impactar positivamente os negócios da Amazônia”, finalizou Quick.

terça-feira, 23 de julho de 2024

Novo Mecanismo Proposto para Financiar a Proteção das Florestas Tropicais


Por: Amazonidade (com ajuda da IA)

Fonte: BVRio 23 de Julho de 2024. Link para a reportagem: Novo mecanismo proposto para financiar a proteção das florestas tropicais | BVRIO

Em uma iniciativa inovadora, a Amazônia 2030, com o apoio da BVRio e do Instituto Igarapé, lançou uma nota conceitual sobre o Mecanismo para Florestas Tropicais (MFT). Este mecanismo visa alavancar e direcionar fundos em larga escala para a proteção e o manejo sustentável das florestas tropicais ao redor do mundo, complementando o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (FFTS) anunciado pelo governo brasileiro na COP 28.

O Mecanismo para Florestas Tropicais (MFT) representa uma abordagem inovadora e necessária para a proteção das florestas tropicais ao redor do mundo. Ao complementar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (FFTS), o MFT promove uma aliança global para a sustentabilidade e a gestão ambiental, incentivando setores intensivos em recursos a contribuir para a conservação das florestas tropicais. Este mecanismo tem o potencial de garantir a proteção contínua das florestas tropicais, beneficiando a biodiversidade, o clima e as comunidades locais.

Contexto e Importância do MFT

As florestas tropicais, que abrangem a Amazônia, a Bacia do Congo e o Sudeste Asiático, são cruciais para a regulação climática global, conservação da biodiversidade e provisão de serviços ecossistêmicos. Essas regiões abrigam a maioria dos 1,2 bilhões de hectares de florestas tropicais do mundo. Para garantir sua proteção, estima-se que sejam necessários pagamentos anuais de USD 30 por hectare.

O MFT propõe que o setor de óleo e gás, que produz aproximadamente 30 bilhões de barris por ano, contribua com USD 1 por barril, gerando potencialmente até USD 30 bilhões anualmente. Este financiamento seria direcionado para a conservação e manejo sustentável das florestas tropicais.

Características Principais do MFT

  • Apoio Financeiro Global

O MFT incentiva setores intensivos em recursos a contribuir com um mínimo de USD 1 por barril de óleo produzido, potencialmente gerando até USD 30 bilhões anualmente. Este financiamento seria crucial para a manutenção e aprimoramento do manejo sustentável das florestas.

  • Pagamentos Anuais para Conservação Florestal

O mecanismo propõe alocar USD 30 por hectare de floresta aos países tropicais, promovendo a conservação e o manejo sustentável das florestas. Este pagamento anual incentivaria a proteção contínua das florestas tropicais.

  • Penalidades para Desmatamento

O MFT também apoia a imposição de uma perda de USD 3,000 por hectare desmatado, incentivando os países a reduzir a supressão de florestas. Esta abordagem é similar à lógica empregada pelo FFTS proposto pelo governo brasileiro.

  • Critérios de Elegibilidade

Os países participantes devem atender a metas rigorosas de redução do desmatamento e apoiar as comunidades locais e os guardiões das florestas. Este critério assegura que os recursos sejam utilizados de forma eficaz e sustentável.

  • Implementação Rápida

Por não ter linhas de base e instrumentos financeiros complexos, o MFT permite que os países possam alcançar a qualificação no curto prazo e implementar o mecanismo de forma rápida. Isso acelera o alcance da meta global de acabar com o desmatamento.

Comentários de Especialistas

Tasso Azevedo, ex-Diretor Geral do Serviço Florestal Brasileiro e colaborador do Amazônia 2030, destacou a importância de um mecanismo global ágil e simples para mobilizar grandes quantidades de recursos para a proteção e restauração das florestas tropicais. Ele ressaltou que as florestas tropicais prestam serviços ecossistêmicos de valor inestimável para a humanidade e são essenciais na luta contra as mudanças climáticas.

Ilona Szabó de Carvalho, Co-fundadora e Presidente do Instituto Igarapé, enfatizou a necessidade de criar instrumentos financeiros para promover a conservação e o restauro das florestas tropicais. Ela destacou que o MFT é uma ferramenta que incentiva a conservação da floresta em pé e recompensa de forma mais efetiva aqueles que as protegem.

Pedro Moura Costa, Diretor e Co-fundador da BVRio, afirmou que o MFT oferece uma nova abordagem para evitar perdas catastróficas das florestas tropicais em todo o mundo. Ele ressaltou que a maioria dos mecanismos financeiros existentes tem se mostrado insuficientes para a captação de capital e investimento em larga escala.



segunda-feira, 22 de julho de 2024

Venda de escavadeiras na ‘cidade pepita’ segue mesmo com denúncias de uso ilegal


Nas margens do Tapajós, Itaituba (PA) é conhecida como “cidade-pepita” pela importância da atividade de extração de ouro na região (Foto: Repórter Brasil)

Fonte: Repórter Brasil 08/07/2024

Venda de escavadeiras na ‘cidade pepita’ segue mesmo com denúncias de uso ilegal - Repórter Brasil (reporterbrasil.org.br)

Em uma recente reportagem de Isabel Harari, editada por Bruna Borges no site Repórter Brasil, foi destacado o persistente comércio de escavadeiras em Itaituba (PA), conhecida como "cidade pepita", mesmo diante de intensas operações de fiscalização contra o garimpo ilegal. A cidade, situada às margens do rio Tapajós, é um importante polo de mineração no Brasil, onde a venda de maquinário pesado continua a prosperar, apesar das denúncias de uso ilegal.


Contexto e Impacto do Maquinário no Garimpo

O uso de escavadeiras no garimpo aumenta significativamente a produtividade. Uma única máquina pode realizar em 24 horas o trabalho que três homens levariam cerca de 40 dias para completar. Este cenário impulsiona a proliferação de lojas de máquinas, peças e oficinas mecânicas ao longo da BR-230, a Transamazônica, em Itaituba.

Em 2023, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) destruiu 83 máquinas pesadas usadas na mineração ilegal em 12 unidades de conservação na bacia do Tapajós. Desde o início de 2024, mais 40 escavadeiras foram destruídas. Ronilson Vasconcelos, coordenador da Unidade Especial Avançada do ICMBio em Itaituba, destacou o impacto devastador dessas máquinas e o lucro significativo das empresas que as vendem.

Denúncias e Compromissos das Empresas

O relatório "Parem as Máquinas" do Greenpeace, publicado em abril de 2023, revelou que 176 escavadeiras estavam sendo usadas em garimpos ilegais em terras indígenas Yanomami, Kayapó e Munduruku nos dois anos anteriores. Em resposta, a Hyundai, líder no fornecimento de equipamentos para essas áreas, comprometeu-se a adotar medidas rigorosas de ESG (ambiental, social e governança).

A Hyundai suspendeu o contrato com a BMG Comércio de Máquinas, uma revendedora em Itaituba, e implementou um processo rigoroso de avaliação de idoneidade de clientes. No entanto, a reportagem revelou que máquinas da Hyundai ainda estão disponíveis na BMG, embora não sejam mais exibidas de forma explícita.

Desafios na Fiscalização e Venda de Peças

A manutenção das escavadeiras é crucial para o garimpo, e muitas oficinas e lojas de peças continuam a operar na região. Funcionários de revendedoras como Sotreq e Deltamaq confirmaram que oferecem serviços de manutenção diretamente nas áreas de garimpo, sem verificar a legalidade das operações.

A John Deere, por exemplo, afirmou que não pode interferir no uso dos equipamentos sem autorização dos proprietários, citando a Lei Geral de Proteção de Dados. A Caterpillar não se manifestou sobre o assunto.

Redução nas Vendas e Persistência do Garimpo

Apesar da intensificação das fiscalizações, o comércio de máquinas em Itaituba diminuiu, mas não cessou. O prefeito Valmir Climaco estimou que as vendas caíram para 30% do volume anterior. No entanto, a produção de ouro ilegal continua, e a demanda por escavadeiras persiste.


A reportagem do Repórter Brasil destaca a complexidade do combate ao garimpo ilegal em Itaituba. Embora as operações de fiscalização tenham reduzido o comércio de escavadeiras, a persistência da atividade ilegal e a venda contínua de peças e serviços de manutenção mostram que ainda há muito a ser feito. A colaboração entre o setor público e privado é essencial para enfrentar esse desafio e proteger as áreas de conservação e terras indígenas na Amazônia.

Referências:
- Harari, Isabel. "Venda de escavadeiras na ‘cidade pepita’ segue mesmo com denúncias de uso ilegal." Repórter Brasil, 08/07/2024.
- Borges, Bruna (Edição).

terça-feira, 23 de abril de 2024

Uma visita as Diversidades Amazônicas.

 



No sábado dia 13 de abril por conta de atividade extra da Disciplina Economia Amazônica do curso de Economia da UFPA, na qual sou aluno, e tenho o professor Eduardo Costa, como o docente responsável, visitei o Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi em Belém, Pará, que é um espaço dedicado à exposição permanente “Diversidades Amazônicas”, que reúne um variado acervo do próprio Museu, que nos apresenta conhecimentos científicos e tradicionais do vasto território amazônico. Descobri que o nome do espaço é uma homenagem ao antropólogo Eduardo Galvão, uma referência em estudos de populações indígenas da Amazônia.

A experiencia vivenciada me trouxe uma contradição de sentimentos, entre a alegria de descobrir um espaço rico e moderno de conhecimento sobre a região, que com sua diversidade de ecossistemas, povos e culturas, me permite reafirmar minha amazonidade e convicção de que é importante continuar lutando pela conservação do que temos aqui. E a tristeza de rememorar toda a caminhada dolorosa e injusta que já vivenciamos e, ainda continuamos a enfrentar, de seres exógenos, que com a ajuda de muitos locais, tentam impedir de nos realizarmos plenamente como sociedade.

Na caminhada, começamos na pré-história da região, com diversos artefatos paleontológicos desde sua formação há milhões de anos. Não se tratou das ORIGENS DO HOMEM AMAZÔNICO, que teria atravessado o estreito de Bering e chegado ao vale do rio Amazonas há cerca de 15 mil anos, marcando o início da ocupação humana na região. Ou mesmo das TEORIAS FANTÁSTICAS e fantasiosas sobre a ocupação humana na Amazônia, como a lenda mais extraordinária, para Marcio Souza de que OS CHINESES CHEGARAM ANTES DOS EUROPEUS aqui pelas terras amazônicas. Mas a exposição nos apresenta a árvore da vida em sua diversidade de seres da flora e fauna, com formas medidas e funções tão distintas e importantes. Um espaço sensorial para se sentir imerso na floresta, com a visão do verde, que não é inferno, e sim o paraíso quase perdido, e seus melodiosos e misteriosos sons e imagens. Histórias, plantas, bichos, rios, artefatos culturais, quantas sensações em tão pouco tempo e espaço.

Quando os europeus aqui chegaram, encontraram sociedades hierarquizadas, densamente povoadas e culturalmente ricas. Descobriram que A AMAZÔNIA NÃO ERA UM VAZIO DEMOGRÁFICO, contrariando o senso comum, que infelizmente ainda hoje existe. As populações da Amazônia desenvolveram uma cultura adaptativa bem-sucedida à selva tropical, e OS POVOS INDÍGENAS ONTEM, HOJE E AMANHÃ continuam desmentindo preconceitos sobre seu suposto primitivismo e desafiando as concepções eurocêntricas, levando a uma reavaliação das diferenças culturais e à necessidade de encontrar parâmetros para entendê-las. Aqui existiam e ainda existem AS SOCIEDADES COMPLEXAS DA AMAZÔNIA, que desafiam a visão de que a Amazônia era uma região de poucos recursos e baixa densidade populacional.

A exposição combinada com a experiência de vida de cada um, nos leva a compreender O QUE É A CULTURA DA FLORESTA TROPICAL. Uma cultura definida pelos elementos econômicos compartilhados, e especialmente centrada na mandioca. Uma cultura baseada na agricultura intensiva de tubérculos, tão intrinsecamente ligada ao cultivo que sua origem se confunde com a origem das plantas cultivadas.

Especial atenção me chamou o espaço dedicado AS LÍNGUAS AMAZÔNICAS, construído com uma beleza estética marcante, com suas árvores linguísticas associadas a características de espécies vegetais, e a belíssima sonoridade de cada grupo de línguas exibidas. A diversidade linguística dos povos da Amazônia, que é tão vasta e pouco conhecida, causa uma certa incompreensão e tristeza, pois muitos desses idiomas estão em processo de desaparecimento, o que compromete a diversidade linguística e empobrece a expressão humana. Pior: a perda de línguas é frequentemente associada à perda de território e formas de vida das comunidades que as falam.

A Amazônia sempre foi vista como uma região sem história devido à sua condição geográfica e pelo olhar eurocêntrico. No entanto, cada vez mais, estudos recentes têm desafiado a visão tradicional e revelado a riqueza histórica das sociedades, descortinando O PASSADO NA MEMÓRIA DOS MITOS E DAS LENDAS. Os mitos e lendas indígenas preservam memórias do passado pré-colonial. A historiografia amazônica tem enfrentado desafios epistemológicos, mas estudos recentes têm destacado a importância dos mitos como fonte histórica. O processo histórico é seletivo e a representação do passado é influenciada pelo encontro entre diferentes culturas. Para os povos originários amazônicos, a história se manifesta através dos mitos e da consciência histórica incorporada à paisagem que é sagrada. Tomando com exemplo do autor, UM MITO DA CRIAÇÃO: OS SOPROS, onde os povos indígenas, como os Tariana, possuem rituais que os conectam à natureza desde o nascimento, utilizando elementos naturais para fortalecer e proteger os iniciados.

Caminhando ao longo da exposição e da história da Amazônia, percebo, não só a importância de seus ecossistemas, como é fortemente destacado hoje, mas a mim que faço parte deste universo, a importância de suas populações povos e línguas, que ao longo da história de ocupação por colonizador exógeno, nunca foram colocados em papel de relevância que efetivamente ocupam. Eles são a base de um território desafiador que continua sendo socialmente construído, e lutam, ou pelo menos tentam, por uma sociedade que dê oportunidade igual para todos e que consiga conviver de forma harmoniosa com a riqueza que a natureza nos brindou.

Como estudantes de economia e amazônidas, fundamental se faz entender também O LEGADO ECONÔMICO DO PASSADO deixados pelos povos indígenas, que apesar de não utilizarem a roda ou animais de tração, conseguiram domesticar espécies, modificar o território e contribuíram significativamente para a agricultura moderna, domesticando mais da metade dos grãos alimentícios comerciais e uma parte substancial dos produtos agrícolas encontrados nos supermercados atuais.

Por fim, o texto de Marcio Souza é rico em detalhes sobre a história da Amazônia antes da chegada dos colonizadores, fazendo uma abordagem bastante crítica as percepções atuais eivadas de pré-conceitos sobre a realidade. Com uma ênfase na complexidade das sociedades indígenas e na riqueza cultural da Amazônia, provoca uma reflexão sobre o impacto da colonização europeia, seus furtos e frutos, muitos de sabor amargo e alerta sobre a importância da conservação de seus ecossistemas e de sua diversidade sociocultural.

Esse passeio sensorial pela “diversidade amazônica”, ajuda a reforçar a reflexão trazida pelo texto. Em cada parada, leitura, observação, somos levados a encarar nossa história, suas consequências e nossa ação atual para referendar ou contestar, e tentar modificar, esse enredo escrito por mãos visíveis e invisíveis de muitos que não tem relação ou compromisso com a nossa região.


De volta?

Mais uma tentativa de retorno.

Motivado agora por uma disciplina de meu curso de graduação: Economia Amazônica, veja a oportunidade de tentar voltar a postar nesse espaço, que já foi tão caro para mim, e por algum, ou muito tempo, está largado. 

Começo com uma visita que fiz.

Vamos tentar voltar mais uma vez. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Brasil: uma potência em produção de crédito de carbono.

Fonte:Brazil Journal 13/12/2022


O Governo do Estado do Rio de Janeiro assinou este ano um memorando com a Nasdaq para a criação de uma Bolsa de ativos sustentáveis no Brasil, visando a negociação de créditos de carbono. Com essa Bolsa, potencializaremos nossas relações com o mercado internacional em relação a compra desses ativos. 
Nosso País se posiciona para se tornar líder mundial no mercado de carbono, pois detemos a maior parte de nosso território preservado e, além disso, possuímos a maior floresta tropical do mundo e as maiores reservas de água potável do planeta. 
Assim como no agronegócio o Brasil tornou-se um dos mais competentes do mundo em termo de produtividade, eficiência e tecnologia, o carbono terá uma trajetória de grandes conquistas. De olho nesse imenso potencial, a Bolsa Verde ganha grande importância. 
Mercado Crescente 
De acordo com estimativas de mercado, poderemos movimentar mais de US$ 100 bilhões com o mercado de carbono e gerar 8,5 milhões de empregos até 2030 no setor no País. 
Hoje, já somos responsáveis por cerca de 10% de todos os empregos “verdes” do mundo, que totalizaram 12,7 milhões de pessoas em 2021, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). 
O mercado voluntário de carbono terá um crescimento exponencial até 2030, para cumprir as metas do Acordo de Paris. O acordo mundial, assinado em 2016, pressupõe o equilíbrio entre emissão e remoção dos gases de efeito estufa da atmosfera até o ano de 2050. 
Com demanda crescente, o mercado tem muito a avançar. Em maio deste ano, o Brasil deu um importante passo no sentido da regulamentação do mercado de crédito de carbono nacional com a publicação de um decreto. Na prática, isso significa a viabilização das transações em certificados de crédito de carbono de forma segura e rastreável, seja com base na tecnologia de blockchain, seja através de fundos de ativos verdes comercializados em mercado de balcão em Bolsa. 
A regulamentação permitirá não apenas que ativos brasileiros passem a ser comercializados em bolsas de comércio internacionais, mas também fomentará a criação de centros de comércio nacionais, inserindo o Brasil no sofisticado mercado financeiro “verde” global. 
Fernando Albino, sócio do escritório Albino Advogados Associados, ex-diretor da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e integrante da Comissão Civil da Bolsa de Ativos Sustentáveis do Rio, explica que hoje os créditos de carbono têm diversas naturezas. O crédito de carbono evitado – em que a empresa que emite poluentes ganha crédito por diminuir as emissões de carbono na atmosfera; o crédito de carbono sequestrado – proveniente de atividades de reflorestamento e regeneração; o crédito de carbono estocado – proveniente das matas e florestas, da floresta em pé, preservada; e o de metano. Segundo Albino, já existem fundos de investimento lastreados em ativos verdes, atendendo a demanda crescente. 
“O Brasil tem 2/3 de seu território ocupado por cobertura florestal. É um imenso potencial. O País é o primeiro nessas reservas. E as empresas se comprometeram a neutralizar o carbono emitido”, explica o advogado e professor de Direito. “Empresas em nível mundial precisam se qualificar cada vez mais com certificações verdes e de sustentabilidade, além do compromisso de neutralizar ou reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, para atenderem às crescentes exigências competitivas. Apenas para citarmos alguns exemplos, as petroleiras e as companhias aéreas estão nesse rol, adotando cada vez mais políticas de responsabilidade ambiental, social e de governança.” 
Quando se fala de ativos verdes ainda existem algumas dúvidas. Mas o Brasil já contempla uma legislação avançada nesse sentido. Albino menciona que recentemente o Banco Central editou instrução esclarecendo as instituições financeiras sobre como contabilizar créditos de carbono em suas demonstrações financeiras, e a CVM prevê a inclusão desses ativos no âmbito de sua regulamentação. Surge, assim, um ambiente propício às negociações desses ativos. As instituições financeiras, por exemplo, tenderão a dar crédito para empresas que comprovadamente estão cumprindo as suas metas de descarbonização. Além disso, sob o ponto de vista institucional, Governo, BC, CVM, e outras instituições estão incentivando as empresas para investimento em ativos sustentáveis.

Leia mais em https://braziljournal.com/brands/brasil-uma-potencia-em-producao-de-credito-de-carbono/ .

sábado, 27 de agosto de 2022

Amazônia no Antropoceno - Histórias de Desenvolvimento e Devastação na Amazônia


A UFPA através do NAEA - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos está divulgando e convidando estudantes universitários, da graduação e da pós-graduação, para participar do curso itinerante “Amazônia no Antropoceno: reportando e discutindo” que será realizado nos dias 30 e 31 de agosto na UFPA em Belém, e depois na UFOPA em Santarém, na UFPA em Altamira, na UFAC em Rio Branco e na UFAM em Manaus. 

Programação:

Módulo I:Tema: Narrativas sobre o Progresso: Histórias de Desenvolvimento e Devastação na Amazônia

Local: UFPA –Campus - Datas: 30 e 31 de agosto.

Oficina de narrativas em Belém: 1 e 2 de setembro

Módulo II -Mineração na Amazônia

Local: UFOPA –Campus - Datas: 23 e 24 de setembro

Oficina de narrativas em Santarém:26 e 27de setembro

Módulo III –Tema:  Energia e Infraestrutura

Local: UFPA –Campus Altamira - Datas: 17 e 18 de outubro

Oficina de narrativas em Altamira: 19 e 20 de outubro

Módulo IV –Tema: Ameaças às Áreas Protegidas

UFAC–Campus Rio Branco – Datas: 7 e 8 de novembro

Oficina de narrativas em Rio Branco: 9 e 10 de novembro

Módulo V –Tema: Vozes Amazônicas: as soluções e ações desde a floresta

Local: UFAM –Campus Manaus - Datas:29 e 30 de novembro

Oficina de Narrativas em Manaus: 1 e 2 de dezembro

Fonte e Informações adicionais: http://www.naea.ufpa.br/index.php/menu-noticias/384-amazonia-no-antropoceno-historias-de-desenvolvimento-e-devastacao-na-amazonia

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domingo, 4 de outubro de 2020

IPAM lança projeto voltado à conservação de florestas privadas

 Divulgando para conhecimento. Nova iniciativa que merece ser analisada.

Convite: IPAM lança projeto voltado à conservação de florestas privadas

Fonte: IPAM 01.10.2020 
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O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em parceria com o EDF (Environmental Defense Fund) e o Woodwell Climate Research Center, convida você a participar do webinário de lançamento do projeto CONSERV – um mecanismo privado de compensação financeira voltado a produtores rurais da Amazônia Legal que escolheram preservar uma área de floresta além do que é obrigatório por lei.

O evento será realizado na próxima quarta-feira, dia 7 de outubro, de 10h a 12h (horário de Brasília), no formato on-line e em português, transmitido pelo canal do IPAM no YouTube. Contaremos com a participação de autoridades e especialistas no tema.

Participe e acompanhe o surgimento de um novo paradigma de uso da terra no país.

Confira abaixo a programação:

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

O que a implementação do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu nos ensina?

Fonte: FGV EASP 16/10/2018

Reflexões sobre os avanços, desafios, limites e caminhos possíveis a serem traçados para a governança de territórios que recebem grandes obras, estão sistematizadas no documento intitulado “O que a implementação do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu nos ensina?” , resultado preliminar da pesquisa em curso que conta com o apoio da Mott Foundation. Com satisfação, gostaríamos de compartilhar o material e nos colocamos à disposição para ampliação deste debate!

Acesso à publicação

Série de Livros - Planejamento e Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil

Fonte: FGV EAESP 16/10/2016

Entre 2016 e 2018, o FGVces, com o apoio da Agência Nacional de Águas (ANA), realizou uma série de estudos sobre o planejamento e gestão dos recursos hídricos no Brasil no contexto da mudança do clima, em que certas bacias hidrográficas se encontram cada vez mais sujeitas a eventos de escassez de água. Confira abaixo os livros que consolidam essas pesquisas!

Análise Custo-Benefício de Medidas de Adaptação à Mudança do Clima

Por meio de uma análise das condições climáticas atuais e futuras, e seus impactos hidrológicos e econômicos, este livro avalia a perda econômica decorrente da não consideração da mudança do clima no planejamento hídrico da bacia dos rios Piancó-Piranhas-Açu (PB e RN), avaliando, na sequência, a viabilidade de potenciais medidas de adaptação.


Este livro busca introduzir de maneira didática e sistemática os principais conceitos econômicos que podem oferecer uma lente adicional para o leitor interessado em analisar problemas associados à maneira com que os indivíduos administram um recurso escasso como a água. Em particular, a partir de valiosas experiências internacionais, dedica-se atenção a instrumentos inovadores no contexto brasileiro, notadamente os mercados de direitos de uso de água.

Análise dos custos e benefícios das políticas públicas: o caso dos instrumentos econômicos para gestão ambiental

A Análise de Impacto Regulatório (AIR) visa explicitar a todos os interessados os custos e benefícios associados a diferentes alternativas regulatórias, conferindo maior racionalidade e transparência à tomada de decisão na administração pública. Este livro investiga como a AIR pode ajudar na implementação de instrumentos e medidas de adaptação à mudança do clima e quais os desafios para sua adoção na gestão de recursos hídricos no Brasil.